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Alemanha quer deixar crise para trás

Philip Verminnen

26/06/2018 10h22

Vitória contra a Suécia deu confiança e reavivou o estigma da Alemanha de seleção copeira. Mas a procura pelo time ideal persiste, com Julian Brandt pedindo passagem e dúvidas no meio-campo para jogo com Coreia do Sul.Com o gol salvador de Toni Kroos aos 50 minutos do segundo tempo contra a Suécia, a Alemanha voltou a depender somente de suas próprias forças para evitar a eliminação na fase grupos. Para tal, basta a Nationalelf vencer a Coreia do Sul por ao menos dois gols de diferença, nesta quarta-feira (26/06), em Kazan.

O jogo está sendo encarada na Alemanha como a guinada para deixar a crise para trás, para reconquistar a confiança e encontrar a formação ideal. A vitória, atrelada à consequente classificação, pode embalar a Alemanha e reascender o estigma de copeira da seleção que mais vezes chegou entre as quatro melhores equipes em Mundiais.

A fase da seleção alemã não é boa há meses. Desempenhos fracos em amistosos, problemas internos e algumas decisões contestadas criaram um ambiente desfavorável dentro da Nationalelf. A preparação turbulenta se refletiu em campo – e também do lado dele, como mostra o destempero de membros da delegação alemã no duelo com a Suécia.

A vitória da Alemanha no apagar das luzes é difícil de ser explicada de forma tática. É um daqueles casos em que cabe o jargão "a camisa pesa". A não marcação de um pênalti claro no sueco Markus Berg, no primeiro tempo, e o gol salvador nos acréscimos conspiraram a favor dos alemães. E claro que, numa Copa, o talento individual também conta, como no caso de Kroos, que teria sofrido críticas pesadas por mais uma atuação apagada se não tivesse se tornado o salvador da pátria.

Hummels retorna, Khedira também?

Mas o talento individual não basta, e isso os alemães sabem melhor do que ninguém. A organização e a disciplina tática sempre foram os grandes trunfos dos tetracampeões mundiais. Mas, desta vez, o treinador Joachim Löw demorou a perceber ou decidir tomar as medidas necessárias. Coube ao México ligar o sinal de alerta. E coube à Suécia dar mais clareza aos problemas.

O meio-campo funcionou melhor sem as presenças de Mesut Özil e Sami Khedira, ambos herois de 2014 contestados e barrados. A decisão de Löw pode ser considerada uma revolução, pois o treinador alemão não é conhecido por efetuar muitas mudanças. Özil, por exemplo, foi titular em todas as 26 partidas anteriores da Alemanha em Copas e Eurocopas.

Atualmente, há grandes especulações na imprensa esportiva alemã em torno da escalação. A Alemanha é a segunda seleção que mais finalizou a gol nas duas primeiras rodadas – atrás apenas do Brasil. A pontaria não está calibrada, mas a grande preocupação de Löw segue sendo o setor defensivo – agora ainda mais com a suspensão de Jérôme Boateng. A boa notícia para os alemães é que Mats Hummels está recuperado do desconforto na coluna cervical e está liberado para enfrentar a Coreia do Sul.

A dúvida é quem será seu parceiro: Antonio Rüdiger ou Niklas Süle. O zagueiro do Chelsea teve um desempenho inseguro contra os suecos, mas registrou um alto percentual de passes certos – uma estatística que Löw presa bastante. No entanto, Rüdiger é visto como substituto de Hummels, pelo lado esquerdo. Por isso, Süle tem boas chances de ser titular.

A segunda dúvida está no meio-campo defensivo. Nos minutos em que esteve em campo, Sebastian Rudy deixou uma boa impressão. O volante do Bayern de Munique, porém, sofreu uma fratura no nariz e foi substituído por Ilkay Gündogan, que novamente não mostrou consistência e foi pouco participativo.

Rudy foi submetido a uma cirurgia e, caso seja liberado pelo departamento médico, algo tido como improvável, ele deve atuar com uma máscara. Caso contrário, Khedira deve receber uma segunda chance.

Brandt pede passagem

No setor criativo, Marco Reus conquistou sua titularidade. Do outro lado, o jovem Julian Brandt, que já acertou a trave em duas ocasiões nesta Copa, vem pedindo passagem. No momento, ele é o jogador com o maior apelo popular por uma mudança na equipe titular. Caso Brandt inicie o jogo, Julian Draxler, ao que tudo indica, é o candidato mais provável a ir ao banco de reservas, embora Thomas Müller também esteja jogando um torneio bem letárgico.

Brandt entrou aos 41 minutos do segundo tempo contra o México, e aos 42 minutos da etapa final contra a Suécia. Em ambas as partidas, ainda encontrou tempo para acertar finalizações na trave. O atacante do Bayer Leverkusen pode vir a ser o coringa que foi André Schürrle na Copa de 2014.

"O positivo é que o segundo chute ao poste foi cinco centímetros melhor colocado. O próximo deve finalmente entrar", brincou Brandt, em entrevista à página oficial da Federação Alemã de Futebol (DFB). "Quando entro em campo, quero dar um novo ímpeto ao time, e espero que dê para notar isso."

Questionado sobre uma suposta segregação entre os campeões mundiais e a nova geração campeã da Copa das Confederações, Brandt afirmou que o ambiente interno é bom.

"Claro que eu me dou melhor com uns do que com outros, mas é também normal que você não seja melhor amigo de todos. Mas esse comportamento de grupinhos eu não consigo identificar", disse Brandt, que apontou um fortalecimento da união do grupo depois do jogo contra a Suécia.

O caminho da vaga

Os cenários no Grupo F são vários. A seleção alemã pode se classificar até com uma derrota, mas também pode ser eliminada com uma vitória contra a Coreia do Sul.

Além disso, há a possibilidade de a classificação da Alemanha para as oitavas de final seja decidida nos critérios de Fair Play – e neste caso, a expulsão de Boateng coloca os alemães numa má posição inicial.

Para evitar contas, os comandados de Löw precisam vencer por dois ou mais gols de diferença. Caso consigam, a Alemanha manterá a escrita de nunca ter sido eliminada numa fase de grupos em Copas do Mundo.

E a Coreia do Sul tem sido um adversário de boas recordações em Copas do Mundo, com um pequeno asterisco. A Alemanha venceu os dois confrontos: no terceiro jogo da fase de grupos da Copa de 1994, a Nationalelf derrotou os sul-coreanos por 3 a 2; na semifinal de 2002, em Seul, venceu por 1 a 0. Mas o astro daquela seleção, Michael Ballack, recebeu o cartão amarelo que o deixou de fora da final contra o Brasil.

Provável escalação da Alemanha:
Manuel Neuer; Joshua Kimmich, Antonio Rüdiger, Mats Hummels e Jonas Hector; Sami Khedira e Toni Kroos; Thomas Müller, Julian Draxler e Marco Reus; Timo Werner.

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