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A miséria alemã na política e no futebol

Jens Thurau, Alexandre Schossler

29/06/2018 12h28

A seleção está eliminada, o governo está à beira do colapso. E, como em qualquer drama, há protagonistas, heróis e traidores. As crises na política e no futebol da Alemanha têm alguns paralelos tragicômicos.O governo da Alemanha e a seleção de futebol do país estão na miséria e apresentam alguns paralelos interessantes: líderes perto do fim, traidores, salvadores da pátria e muito, mas muito drama.

Pra começar, Angela Merkel e Joachim Löw

Ambos são estoicamente calmos, ambos se guiam por valores. Ela deixou muitos refugiados entrarem no país, ele deixou muitos atacantes entrarem na grande área. Ele foi campeão do mundo, ela foi, ainda que brevemente, a salvadora do mundo democrático.

Ambos são ameaçados por assombrações: Merkel por Alexander Dobrindt, líder da bancada da CSU no Parlamento alemão, e por Horst Seehofer, seu ministro do Interior; Löw pelas seleções do México e da Coreia do Sul. Nos dois casos, os prazos de validade parecem ter expirado, mas não há ninguém melhor para colocar no lugar. Trágico.

Mesut Özil e Markus Söder

Ambos praticam política externa paralela sem serem os encarregados por ela. E assim irritam seus companheiros de equipe.

Özil sorriu e posou para fotografias ao lado do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e Söder fez o mesmo com o chanceler federal da Áustria, Sebastian Kurz. Nenhum dos dois pensou nas consequências. Ambos vivem entre dois mundos: Özil entre a Alemanha e a Turquia, Söder entre a Alemanha e a Baviera.

Exportações alemãs e merchandising da Nationalelf

As exportações alemãs estão ameaçadas pelas tarifas aduaneiras de Donald Trump, e os produtos ligados à seleção alemã porque esta deixou a desejar. Nos dois casos, as perdas podem ser grandes: queda nas vendas de automóveis da Volks e da Mercedes de um lado e de camisas da Adidas do outro. "Made in Germany" e "Best NeVer Rest" – slogans que agora soam ultrapassados.

Sigmar Gabriel e Sandro Wagner

O ex-vice-chanceler federal e o atacante do Bayern de Munique foram preteridos por quem selecionava as seletas equipes por eles almejadas. Gabriel ficou de fora do governo alemão, enquanto Wagner não entrou na lista dos 23 atletas convocados para o Mundial. Dotados de egos enormes, ambos se mostraram ofendidos.

Gabriel anunciou ele mesmo a renúncia ao cargo e, desde então, anda de cara amarrada. Wagner comunicou sua aposentadoria da seleção. Ambos acreditam que foram deixados de lado porque suas opiniões incomodam. Estão enganados. Nenhuma equipe suporta tanto ego.

Wolfgang Schäuble e Franz Beckenbauer

O ex-ministro das Finanças e agora presidente do Bundestag e o maior jogador alemão da história são veteranos de batalhas. Ambos entendem de caixa 2. Schäuble já é apontado como sucessor se Merkel cair fora. Beckenbauer ainda não foi lembrado, mas isso pode acontecer a qualquer momento.

Um é presidente honorário do Bayern de Munique, o outro é presidente de verdade do Bundestag. E ambos, assim como o país e a seleção alemã, já viram dias melhores. Para todos vale: agora só dá para melhorar!

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