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Whatsapp promete agir contra boatos após linchamentos na Índia

04/07/2018 11h47

Empresa anuncia medidas após rumores espalhados através do aplicativo de mensagens resultarem em atos de violência contra supostos criminosos. Mais de 20 pessoas foram mortas em dois meses.Os administradores do aplicativo Whatsapp se disseram "horrorizados" com uma série de linchamentos ocorridos na Índia após falsos rumores serem compartilhados através da plataforma de mensagens e anunciaram medidas para combater a prática.

Segundo a imprensa local, mais de 20 pessoas foram mortas na Índia nos últimos dois meses, após boatos espalhados sobre supostos sequestradores de crianças, ladrões e predadores sexuais. Os ataque ocorreram em ao menos 11 estados do país e também deixaram dezenas de feridos.

No último domingo, cinco homens foram linchados até a morte por uma multidão no estado de Maharashtra. Segundo a polícia local, a agressão ocorreu em razão de rumores de que havia um grupo de sequestradores de crianças na cidade.

Na semana passada, três pessoas foram linchadas até a morte no estado de Tripura, inclusive uma das autoridades encarregadas de alertar o público contra as mensagens falsas.

Segundo a imprensa indiana, outros linchamentos ocorreram recentemente no estado de Tâmil Nadu, onde morreram duas pessoas, em Assam, com a morte de uma mulher, e ao menos quatro pessoas foram mortas nos estados de Andra Pradesh e Telangana no mês de maio.

Os ataques fizeram com que as autoridades do país se mobilizassem para preparar uma reação efetiva a esses crimes, já que as campanhas de conscientização e os alertas públicos tiveram efeito limitado.

Uma declaração do Ministério indiano de Eletrônica e Tecnologia da Informação expressou uma "profunda reprovação" aos administradores do Whatsapp pela divulgação de "mensagens irresponsáveis e explosivas".

"Manifestamos ao Whatsapp uma profunda inconformidade com estes eventos e aconselhamos que é preciso tomar as medidas corretivas necessárias para evitar a proliferação destas mensagens falsas", afirmou o Ministério, ressaltando que a empresa não pode se esquivar de sua "responsabilidade". Segundo o órgão, pessoas inocentes são alvos de linchamentos devido à circulação dos falsos rumores.

O órgão afirma que o governo indiano exigiu "ações imediatas" do aplicativo para pôr fim a esses crimes. "O abuso de plataformas como o Whatsapp através da repetida circulação de conteúdos provocativos é causa de grande preocupação", diz a nota.

A plataforma afirmou que está trabalhando com pesquisadores indianos para compreender melhor o problema e que já introduziu mudanças no aplicativo para reduzir a divulgação de mensagens indesejadas.

Além disso, o Whatsapp disse que lançará ferramentas para ajudar os usuários a diferenciar mensagens que foram encaminhadas das que foram escritas por pessoas conhecidas.

Com 200 milhões de usuários, a Índia é o maior mercado para o Whatsapp. Devido á importância do país para a empresa controlada pelo Facebook, o aplicativo fará uma campanha para aumentar a conscientização sobre o problema.

"Acreditamos que as notícias falsas, a desinformação e a disseminação de boatos são temas que podem ser melhor trabalhados coletivamente pelo governo, sociedade civil e empresas de tecnologia", disseram os administradores do aplicativo. "Com as ações corretas, poderemos aumentar a segurança de todos."

RC/afp/efe/ap

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