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Polícia da Nicarágua prende suspeito de matar brasileira

27/07/2018 19h03

Autoridades apontam homem de 42 anos como provável autor de disparos que mataram Raynéia Gabrielle Lima. Com ele, polícia encontra arma do mesmo tipo que foi usado no assassinato da estudante.A polícia da Nicarágua afirmou nesta sexta-feira (27/07) que prendeu o suspeito de ter assassinado a estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos. O carro onde a pernambucana estava foi metralhado a poucos metros de sua casa, na segunda-feira, na capital Manágua.

Em comunicado, a polícia disse que deteve um homem de 42 anos que seria "o suposto autor dos disparos" que mataram a brasileira. O suspeito foi identificado como Pierson Gutiérrez Solis. Segundo autoridades, ele carregava uma carabina M4, mesmo tipo de arma que teria sido usada no assassinato de Raynéia.

A pernambucana morava no país há seis anos e cursava o último ano de Medicina na Universidade Americana (UAM). Horas depois de seu assassinato, o reitor da UAM, Ernesto Medina, acusou grupos paramilitares, que estariam fazendo a segurança na região, pelo morte da estudante.

A polícia, no entanto, rapidamente negou que o crime foi cometido por paramilitares e afirmou que o autor seria um segurança particular.

No comunicado sobre a detenção do suspeito, as autoridades não explicaram, porém, por que um vigilante estaria portando um fúsil automático e também não confirmaram se Solis é segurança particular.

Antes do anúncio da polícia, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, classificou nesta sexta-feira como inaceitável a morte da brasileira e disse que as informações transmitidas pelo governo da Nicarágua eram "extremamente insuficientes".

"Chamamos o embaixador [do Brasil] na Nicarágua para nos explicar em mais detalhes e também a embaixadora da Nicarágua no Brasil para fazer um gesto diplomático de profunda discordância do Brasil sobre a violência no país, que terminou com uma vítima brasileira", destacou Nunes.

Crise e onda de protestos

A Nicarágua enfrenta uma crise sociopolítica, marcada por violentos protestos contra o presidente Daniel Ortega, que deixaram mais de 400 mortos.

Os protestos contra Ortega e sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram em 18 de abril, quando a população passou a manifestar-se nas ruas contra as reformas fracassadas na área de segurança social e a exigir a renúncia do presidente. O governo respondeu às manifestações com violência.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusaram o governo de Nicarágua de praticar "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possível tortura e detenções arbitrárias".

Há 11 anos no poder e enfrentando acusações de abuso e corrupção, Ortega nega envolvimento com grupos paramilitares e afirmou que não pretende renunciar.

CN/efe/dpa

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