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Fotógrafa suíço-brasileira recebe Medalha Goethe

28/08/2018 11h59

Após fugir da perseguição nazista quando criança, Claudia Andujar dedicou grande parte de sua vida profissional ao povo indígena Yanomami, registrando seu cotidiano e lutando por sua sobrevivência.A fotógrafa suíço-brasileira Claudia Andujar foi uma das agraciadas com a Medalha Goethe de 2018. "Vida após a catástrofe" foi o tema da premiação deste ano, concedida pelo Instituto Goethe.

Nascida em Neuchâtel, na Suíça, Andujar vive no Brasil desde 1955 e dedicou grande parte de sua vida profissional à etnia indígena Yanomami. Em 1971, a também ativista de direitos humanos naturalizada brasileira viajou pela primeira vez à Amazônia, morou com os habitantes locais e documentou seu cotidiano.

Andujar trabalhava como redatora fotográfica da revista Realidade, que foi publicada entre 1966 e 1976 e afetada pela censura da ditadura militar. Por um curto período, a suíço-brasileira chegou a ser proibida de publicar suas fotografias.

A fotógrafa ajudou a fundar uma organização não governamental para a proteção dos Yanomami, cuja existência era ameaçada pela destruição de suas terras. Sua permanência mais longa com a tribo indígena durou sete anos. O engajamento de Andujar contribui para a demarcação da terra Yanomami, em 1992, a maior área florestal sob controle indígena no mundo.

"Eu nasci na Suíça, mas cresci na Hungria. Pode-se dizer que minha fotografia é marcada pelo meu passado: um passado de guerras – e com minorias que não desistem de tentar se afirmar no mundo", disse a fotógrafa de 87 anos.

"No campo de concentração [nazista], os prisioneiros eram marcados com números tatuados em seus braços. Para mim, eles eram marcados para morrer. O que mais tarde tentei fazer com os Yanomami foi marcá-los para sobreviver", afirmou.

Seu trabalho artístico mais importante é a série "Marcados", executada na década de 1980, na qual são retratados membros do povo Yanomami durante uma campanha de vacinação. Como os Yanomami não possuem nomes, não havia como registrá-los e, portanto, foram numerados.

A obra total de Andujar soma cerca de 60 mil fotografias, que já foram expostas numa série de museus mundo afora, como o George Eastman House e o Museu de Arte Moderna (Moma), ambos em Nova York.

Outros premiados

Também receberam a Medalha Goethe deste ano os irmãos colombianos Heidi e Rolf Abderhalden, que conduzem o coletivo teatral Mapa Teatro, fundado em 1984 em Paris. Desde 1986, o coletivo está baseado em Bogotá, onde se ocupa em parte de peças documentais sobre os desenvolvimentos políticos e sociais da Colômbia.

Entre os temas centrais estão as décadas de guerra civil, cujo trabalho artístico visa contribuir para a reconciliação entre setores da sociedade. Com performances visuais e musicais, o coletivo se apresenta em festivais de teatro mundo afora.

Também foi agraciado com o prêmio o húngaro Péter Eötvös, considerado um dos mais bem-sucedidos compositores de ópera dos dias atuais. Admitido aos 14 anos na Academia de Música de Budapeste, o húngaro se aproximou das culturas musicais europeias durante a Guerra Fria.

Em meados da década de 1960, Eötvös recebeu uma bolsa para estudar regência na Unidversidade de Música de Colônia. Em Budapeste, fundou o Instituto Internacional Péter Eötvös para jovens maestros e compositores. Em suas obras, ele também lida com questões políticas, como a globalização e a política de migração.

Os vencedores deste ano representam um recomeço, seja depois de uma guerra, de um colapso político ou da destruição do meio ambiente, afirmou o presidente do Instituto Goethe, Klaus-Dieter Lehmann, durante a cerimônia de premiação, em Weimar. Desde 2009, o dia da homenagem cai na data do aniversário do notório escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

A Medalha Goethe é concedida concedida anualmente, desde 1954, a pessoas que fizeram uma contribuição especial para o intercâmbio cultural internacional. Entre os vencedores anteriores estão Daniel Barenboim, Pierre Bourdieu, David Cornwell, também conhecido como John le Carré, Lars Gustafsson, Ágnes Heller, Petros Markaris, Jorge Semprún, Robert Wilson, Helen Wolff e Yury Andruchovych.

PV/epd/ots

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