Coreia do Norte comemora 70 anos em meio a impasse diplomático

Martin Fritz

  • Ahn Young-joon/AP

    O líder norte-coreano, Kim Jong-un

    O líder norte-coreano, Kim Jong-un

A comunidade internacional vai observar de perto a forma como a liderança da Coreia do Norte vai festejar o 70º aniversário de fundação do Estado neste domingo (9).

Será que a propaganda estatal voltará a celebrar a ascensão do país à potência nuclear e de mísseis? Foguetes de longo alcance vão ser mostrados no desfile militar pela capital Pyongyang? Ou será que o líder Kim Jong-un vai abster-se de tal provocação e preferir celebrar os numerosos projetos de construção que tiveram início nos últimos meses?

As celebrações acontecem num momento difícil para Kim. Ele quer impulsionar o crescimento, mas pesadas sanções prejudicam a economia. A melhora das relações com os Estados Unidos deveriam levar ao relaxamento das amarras, mas três meses após o encontro histórico com Donald Trump em Cingapura, Kim ainda não conseguiu chegar a um acordo com o presidente americano sobre a próxima etapa de aproximação.

Diante de um enviado especial sul-coreano, na última quarta-feira, Kim deixou clara a sua frustração com a falta de avanços. "A Coreia do Norte deu os primeiros passos necessários ao desarmamento nuclear", afirmou o ditador, referindo-se possivelmente ao fechamento da área de testes nucleares e ao desmantelamento de uma base de lançamento de mísseis.

No documento assinado em Cingapura, Coreia do Norte e EUA concordaram em iniciar um novo relacionamento. No Estado insular, Trump teria prometido a Kim até mesmo assinar em breve uma declaração sobre o fim oficial da Guerra da Coreia. O conflito, travado entre 1950 e 1953, foi encerrado por um armistício, e não por um tratado de paz.

Trump, no entanto, apenas suspendeu as manobras militares dos EUA com a Coreia do Sul. Em seguida, relatórios de inteligência indicaram que a Coreia do Norte continuava produzindo material físsil e construindo mísseis.

No início de agosto, o governo dos EUA impôs novas sanções a dois altos funcionários da Coreia do Norte. Finalmente, no final de agosto, Trump cancelou uma viagem do secretário de Estado, Mike Pompeo, a Pyongyang. "Não há progresso suficiente no desarmamento nuclear", disse o presidente.

Supostamente, o chefe da inteligência norte-coreana, Kim Yong-chol, teria comunicado a Washington que Pompeo deveria "oferecer alguma coisa" em sua viagem. Mas, antes disso, os EUA exigem novos passos concretos de desarmamento da Coreia do Norte.

Pressão de Pequim e Seul

Nas próximas semanas, pode ser que haja alguma movimentação nesse impasse. Tanto a China quanto a Coreia do Sul estão aumentando a pressão para que Kim faça concessões. Por exemplo, o presidente chinês, Xi Jinping, rejeitou o convite norte-coreano para comparecer às celebrações do jubileu noneste domingo.

Em seu lugar, o presidente do Parlamento chinês, Li Zhanshu, foi enviado para Pyongyang. Analistas apontam isso como um sinal de Pequim para que a Coreia do Norte não nutra esperanças de que as sanções econômicas sejam relaxadas em breve.

Devido à amarga disputa comercial com os EUA, a China quer evitar também a impressão de estar próxima demais da Coreia do Norte. Trump acusou Pequim de suavizar na surdina as sanções contra Pyongyang e usar isso como instrumento de pressão nas negociações comerciais.

A China rejeitou essa acusação, mas também não quer colocar mais lenha na fogueira. Nenhum chefe de Estado chinês esteve na Coreia do Norte nos últimos 13 anos. Xi só deverá usar esse trunfo quando vir uma clara vantagem nisso.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, também deseja uma reaproximação entre Pyongyang e Washington, para que possa realizar seus ambiciosos planos econômicos intercoreanos. A planejada construção de novas linhas ferroviárias e outras ajudas econômicas só serão possíveis, se as Nações Unidas revisarem suas sanções econômicas contra a Coreia do Norte.

Portanto, em seu terceiro encontro de cúpula com Kim, Moon também deverá exigir mais movimentação do lado norte-coreano. As conversações, marcadas para 18 a 20 de setembro em Pyongyang, deverão se ocupar explicitamente do desarmamento nuclear.

Kim e Trump sinalizam disposição para ir adiante

O governante norte-coreano acaba de dar um pequeno passo em direção aos Estados Unidos: na última quarta-feira, Kim declarou querer realizar o desarmamento nuclear "no primeiro mandato do presidente Trump".

Foi a primeira vez que Kim anunciou um prazo para o desarmamento nuclear. Em seguida, Trump se mostrou otimista. "Vamos conseguir isso juntos", escreveu o presidente americano no Twitter.

Trump, porém, está cercado de pessoas que defendem uma política linha-dura frente à Coreia do Norte, especialmente o assessor de segurança John Bolton. Ao mesmo tempo, os diplomatas e funcionários em torno de Kim pertencem à velha-guarda que não confia nos EUA. O encontro pessoal dos dois chefes de Estado em Cingapura não foi capaz de fechar o profundo abismo de desconfiança.

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