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A "Velha Senhora" dá o ar de sua graça na Bundesliga

Gerd Wenzel

25/09/2018 10h33

Com três vitórias e um empate, o Hertha Berlim tem o melhor início de temporada nos 126 anos de existência do clube. Berlinenses mesclam jovens ávidos, como o artilheiro Ondrej Duda, e veteranos, como Ibisevic e Kalou.Antes do início da atual temporada da Bundesliga, os palpiteiros de plantão davam como favas contadas que os mais diretos perseguidores do Bayern de Munique seriam, não necessariamente nesta ordem, Borussia Dortmund, Schalke 04 e Hoffenheim. São justamente os clubes que, junto com o Bayern de Munique, estão na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Ninguém, em sã consciência, dava um tostão furado pelo Hertha Berlim, clube que há anos perambula pela zona cinzenta da tabela de classificação com direito a dois rebaixamentos para a segunda divisão em 2010 e 2012.

O berlinense da gema é conhecido por seu extremo criticismo e humor ácido. Pelas más campanhas nas últimas décadas, o Hertha Berlim era alvo de intermináveis gozações por parte dos seus próprios torcedores. Só que agora, para surpresa geral, não está dando para tirar onda em cima da "Velha Senhora”, apelido do Hertha por ser o clube de futebol mais antigo da cidade e um dos mais antigos da Alemanha. Foi fundado em 1892.

Em 2015, o húngaro Pal Dardai assumiu o comando técnico da equipe com o objetivo imediato de evitar aquele que poderia ter sido o terceiro rebaixamento em cinco anos. Isto ele conseguiu. O objetivo a médio prazo era formar uma equipe consistente, mesclada com jovens valores e veteranos experientes. E, pelo jeito, isto ele também está conseguindo. O seu trabalho começa a dar bons frutos.

Dardai conseguiu formar uma espinha dorsal que dá consistência ao time. A começar pelo goleiro Rune Jarstein, passando pelo lateral Marvin Plattenhardt e o meio-campista Arne Meier. E tem ainda os mais experientes como o volante Vladimir Darida, além dos atacantes Ondrej Duda (artilheiro da Liga com quatro gols em quatro jogos), Vedad Ibisevic e Salomon Kalou.

Resultado: após quatro rodadas, o Hertha Berlim, com três vitórias e um empate, ocupa a vice-liderança isolada na tabela a apenas dois pontos do Bayern de Munique. E, especialmente após sua categórica vitória de virada no último fim de semana sobre o Borussia Mönchengladbach por 4 a 2, encara de peito estufado os seus dois próximos compromissos, respectivamente contra Werder Bremen e Bayern de Munique.

Em caso de vitória contra o Werder Bremen nesta terça-feira (25/09) no Weserstadion, o Hertha Berlim pode assumir provisoriamente a liderança do campeonato caso o Bayern de Munique não pontue diante do Augburg.

No que depender do técnico, o Hertha Berlim irá para cima do Werder Bremen, sabendo que tem um tabu para quebrar. Desde 2006 o clube de Berlim não consegue vencer no Weserstadion. Mesmo assim, o treinador húngaro não se abala e está confiante: "Vamos ser atrevidos e vamos ganhar".

Três dias depois, na sexta-feira à noite, os berlinenses receberão o atual campeão em pleno Estádio Olímpico de Berlim. Poderá ser o jogo mais importante da rodada pois é bem provável que ambos lutem pelo primeiro lugar na tabela de classificação.

Já faz algum tempo que o Hertha Berlim não tem este gostinho de lutar pela liderança na tabela. Quem sabe será na próxima sexta-feira.

Durante os 126 anos de sua existência, o Hertha conquistou apenas dois títulos nacionais (1930 e 1931). Desde então, seu maior feito foi o vice-campeonato da Bundesliga em 1975, além de um terceiro lugar em 1978. Sem contar que, no cenário internacional, sua melhor participação foi em 1979 quando chegou à semifinal da Copa da Uefa (atualmente Liga Europa) sendo eliminado pelo Estrela Vermelha, de Belgrado. E foi só.

O manager do clube, Michael Preetz, esbanja confiança, mesmo porque o Hertha Berlim presenteou sua torcida com o melhor início de campeonato de toda sua centenária história: "Quatro jogos, dez pontos – não dá para fazer muito mais do que isso".

De outro lado, até o cético torcedor berlinense começa a acreditar que a sua "Velha Senhora" (em alemão: die alte Dame) ainda pode fazer mais e possui potencial suficiente, não apenas para um bom início de campeonato, mas, principalmente, para um final feliz.

Afinal, todos sabem que o importante não é como se começa, mas com se termina.

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no Twitter, Facebook e no site Bundesliga.com.br

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