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O Brasil na imprensa alemã (26/09)

26/09/2018 10h23

Campanha eleitoral é principal tema brasileiro abordado pelos jornais e sites alemães na semana que passou, com destaque para a candidatura de Jair Bolsonaro.Frankfurter Allgemeine Zeitung - "O flerte do Brasil com os extremos", 22/09/2018

O empresariado brasileiro se engana ao apostar em Bolsonaro, que saúda abertamente sua obsessão por armas, ultraja gays e negros e agita discursos de desprezo às mulheres no Parlamento. Enquanto um governo do esquerdista PT é razoavelmente previsível, um governo de direita com Bolsonaro seria um salto no escuro. O ex-paraquedista e capitão da reserva, que assume não entender nada de economia, quer fazer do analista de investimentos ultraliberal Paulo Guedes seu superministro da Economia. Só que o extremista de direita também sabe acalentar pensamentos bem diferentes dos liberais. O círculo que o rodeia, que é marcado por generais, fala abertamente de uma possível destituição do Parlamento se as maiorias necessárias não forem alcançadas.

A revista liberal The Economist tem razão quando coloca Bolsonaro como um perigo para a democracia no Brasil. Nos círculos econômicos que aclamam sem rodeios Bolsonaro acredita-se que o extremista de direita será "enquadrado" pela maioria partidária do centro no Parlamento e mantido dentro da linha por ela. Quem conhece a história alemã sente um arrepio na espinha diante de considerações como essa.

Tagesschau.de – "A campanha eleitoral maluca do Brasil", 22/09/2018

O favorito não pode concorrer, mas mexe os pauzinhos de dentro da cadeia. O candidato que lidera as pesquisas faz campanha a partir de uma cama de hospital, e tuítes eventuais bastam para aquecer seus apoiadores.

O Brasil vive uma campanha eleitoral maluca, que conduz essa jovem democracia ao extremo. Militantes de todos os candidatos caminham pela Avenida Paulista, a principal via da metrópole econômica São Paulo, mas os que mais chamam a atenção e os mais barulhentos são os apoiadores de Jair Bolsonaro.

"Brasilien über alles" (O Brasil acima de tudo) é um dos slogans que eles usam na campanha. O populista de direita Bolsonaro foi paraquedista, foi licenciado sob circunstâncias estranhas das Forças Armadas, está há 30 anos no Congresso, mas se apresenta agora como um candidato de direita contra as elites. "Ele é o único político decente. É o único que é contra essa política de gênero e a favor de escolas neutras, de moral e ética nesse país", é o que se ouve nas ruas.

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