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Primeira-ministra britânica diz que acordo do Brexit está quase fechado

26.set.2018 - A primeira-ministra britânica Theresa May - Chang W. Lee/The New York Times
26.set.2018 - A primeira-ministra britânica Theresa May Imagem: Chang W. Lee/The New York Times

22/10/2018 19h31

A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou nesta segunda-feira (22) que 95% do acordo entre Londres e Bruxelas para o Brexit já está estipulado e disse que resta apenas um impasse, a questão da fronteira entre a Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido, e a República da Irlanda, membro da União Europeia (UE).

"Não podemos deixar que isso se torne a barreira para alcançarmos a parceria que queremos no futuro", destacou May, durante seu pronunciamento na Câmara dos Comuns, no qual atualizou os parlamentares sobre as negociações da saída do Reino Unido da UE que ocorreram durante uma cúpula do bloco na semana passada.

A premiê destacou que a grande maioria das questões já foram resolvidas nas negociações, incluindo o status de Gibraltar, território britânico ultramarino no sul da Península Ibérica. O principal obstáculo para um acordo tem sido encontrar uma maneira de evitar postos alfandegários e outras barreiras na fronteira entre as Irlandas.

Ambas as partes concordam que não deve haver uma fronteira física que perturbe os negócios de empresas e as vidas de residentes de ambos os lados e ponha em risco o processo de paz negociado para a Irlanda do Norte. Bruxelas rejeitou, porém, a proposta de May para uma zona de livre-comércio e Londres não aceitou a solução europeia de manter a Irlanda do Norte no mercado único até ser concluído um entendimento para as relações comerciais.

May defendeu ainda que, no caso de que terminem os 21 meses do período de transição sem que se tenha chegado a um acordo comercial fixado definitivamente com a União Europeia, o Reino Unido deverá tomar a "decisão soberana" de estender esse período ou ativar uma cláusula de segurança que obrigue o país a permanecer temporariamente na união aduaneira.

A premiê declarou que "criar a opção" de estender essa transição é um dos passos necessários para romper o "impasse" no qual estão imersas as negociações com Bruxelas, mas esclareceu que não se "comprometeu" a fazê-lo ainda. Ela ressaltou que essa possibilidade deveria ser vista como uma "alternativa" ao mecanismo de segurança que também foi avaliado por Londres e Bruxelas.

May, no entanto, frisou que o principal objetivo do governo britânico é chegar a um acordo de livre-comércio com a UE antes que seja necessário ativar uma extensão ou uma cláusula de emergência.

A primeira-ministra indicou, além disso, que qualquer ampliação do período de transição, no qual o Reino Unido se manterá integrado nas estruturas comunitárias, deve ser "curto" e terminar antes do fim desta legislatura, em maio de 2022.

Por fim, May ressaltou que na cúpula comunitária realizada na semana passada se constatou que já existe "um amplo acordo" sobre a "forma e o alcance" que terá a futura relação entre o Reino Unido e a UE, uma questão cujos detalhes começarão a ser negociados após a saída britânica do bloco.

May enfrenta resistência ao acordo que está negociando com a União Europeia dentro de seu próprio partido, o Conservador. Rebeldes da legenda ameaçaram vetar um eventual pacto ruim alcançado pela premiê.

Ao Parlamento, a primeira-ministra também comentou o protesto de sábado em Londres, que reuniu cerca de 700 mil pessoas a favor de um referendo sobre os termos do Brexit. May reiterou ser contra uma nova consulta popular, pois enviaria a mensagem de que os políticos pensam que os eleitores se enganaram no referendo de 2016.

No referendo sobre o Brexit, realizado em junho de 2016, 52% dos eleitores votaram a favor da saída da União Europeia, mas os ânimos mudaram no país nos últimos dois anos diante das dificuldades nas negociações entre Londres e Bruxelas. Muitos temem que o Reino Unido acabe deixando o bloco sem um acordo ou permaneça numa fase de transição por vários anos, com poucas mudanças perceptíveis, mas sem voz na UE.