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Espanha apoiará Brexit, após consenso com UE sobre Gibraltar

24/11/2018 14h37

A península de seis quilômetros quadrados é território britânico reivindicado pela Espanha há três séculos, e ameaçava fazer fracassar o acordo do Brexit. Londres garante continuação de conversas bilaterais com Madri.A União Europeia está mais perto de alcançar um consenso sobre o Brexit, depois que, neste sábado (24/11), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, retirou a ameaça de boicotar o acordo devido à disputa sobre o futuro status da ilha de Gibraltar.

"Nós recebemos suficientes garantias para poder alcançar a solução para um conflito que tem durado mais de 300 anos, entre o Reino Unido e a Espanha", comentou o chefe de governo à imprensa, após um encontro entre os 27 líderes da UE em Bruxelas, que se estendeu por toda a noite.

Antes, num comunicado de última hora, Londres assegurara que manterá as conversas bilaterais com Madri sobre Gibraltar após 29 de março de 2019, quando deve entrar em vigor o acordo de separação entre o Reino Unido e a UE, a ser aprovado numa cúpula dos atuais 28 países da UE neste domingo, em Bruxelas.

"Acabo de anunciar ao rei que a Espanha alcançou um acerto sobre Gibraltar", prosseguiu o líder socialista espanhol. "O Conselho Europeu, portanto, se realizará amanhã. A Europa e o Reino Unido aceitaram as exigências da Espanha. A Espanha suspendeu o veto e votará a favor do Brexit."

Rochedo da discórdia secular

Gibraltar é uma península rochosa de seis quilômetros quadrados na costa sul da Península Ibérica, com 30 mil habitantes. Ocupada em 1704 pela Grã-Bretanha, em 1713 a Paz de Utrecht a conferiu oficialmente ao reino britânico. Apesar disso, a Espanha insiste até hoje em seus direitos territoriais.

Devido às tensões bilaterais, a fronteira com a Espanha ficou fechada entre 1969 e 1985. Desde 2002 Londres define Gibraltar como "território ultramarino" seu, evitando as associações negativas do termo "colônia real". No referendo sobre o Brexit, 96% dos habitantes britânicos da península votaram "não".

Um porta-voz da premiê britânica, Theresa May, confirmou conversações com a Espanha "que envolveram diretamente o governo de Gibraltar", dadas "algumas circunstâncias que são específicas" a esse território. Essas conversações "foram construtivas e estamos ansiosos por adotar a mesma abordagem na relação futura", concluiu.

Simultaneamente à coletiva de Sánchez, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, emitiu convite por carta aos líderes dos Estados-membros da para a cúpula do dia seguinte.

Segundo o documento, o acordo do Brexit reduz "os riscos e perdas resultantes da retirada do Reino Unido" do bloco europeu, protegendo os direitos dos cidadãos europeus e o processo de paz na Irlanda do Norte. Ao mesmo tempo, garante que os britânicos seguirão pagando o que devem à UE, no período de transição.

"Vou recomendar no domingo que se aprove o resultado das negociações do Brexit", anunciou Tusk. "E, embora ninguém vá ter razões para estar contente nesse dia, eu gostaria de enfatizar uma coisa: nesta época crítica, a UE27 passou no teste de unidade e solidariedade."

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