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1947: Marlon Brando estreava na Broadway

Jens Teschke

03/12/2018 08h00

No dia 3 de dezembro de 1947, o então jovem ator Marlon Brando fez sua estreia na Broadway com a peça de Tennessee Williams "Um bonde chamado desejo", mais tarde levada ao cinema por Elia Kazan.Nascido no dia 3 de abril de 1924 em Omaha, Nebraska, numa família destruída pelo alcoolismo, Brando ingressou no mundo do teatro após ter sido expulso da escola militar. Mas nunca chegou a ser um Hamlet.

"Ele cedeu à obesidade e ao mau humor, à falta de amor próprio e à autoparódia", escreveu o crítico de cinema Richard Schinkel. E, tanto no palco quanto na vida privada, personificou um estilo de personagem que se descontrolava à menor provocação.

Stella Adler, sua primeira e mais influente professora de teatro, considerava Brando "o ser humano mais profundamente atento e o mais empático", apesar de achar que seu compromisso com a atuação era apenas superficial.

De herói rebelde à ilha particular

Foi sua rebeldia que o tornou herói dos jovens dos anos 50, uma estrela do calibre de James Dean e Montgomery Clift. Brando deu vida à raiva e à autopiedade da personagem de paraplégico de Espíritos indômitos (1950), ao anjo rebelde de O selvagem (1953) e, principalmente, a Terry Malloy, o espancador das docas, lutando pela autotranscendência em Sindicato de ladrões (1954), com que conquistou seu primeiro Oscar.

Esses pequenos filmes em preto-e-branco, baseados no realismo psicológico do "Método" do Actor's Studio, foram os veículos ideais para o espírito inquieto e sedutor do artista.

Politicamente, a superestrela dos anos 50 era um liberal fanático. Lutou contra a discriminação racial no sul dos Estados Unidos e negou-se a continuar trabalhando com Elia Kazan, o diretor de Um bonde chamado desejo, depois que este denunciou artistas de Hollywood, supostamente comunistas, diante da Comissão McCarthy.

Longe de tentar ser um herói da cultura, Marlon Brando fugiu e tornou-se o Abominável Homem das Neves, esgueirando-se pelas sombras de filmes ruins e refugiando-se em sua ilha perto do Taiti, no Oceano Pacífico.

Recusa em receber o Oscar

Em 1972, o então jovem diretor Francis Ford Coppola o levou de volta às telas do cinema como o O poderoso chefão. O filme baseado na obra de Mario Puzo retrata a saga da família Corleone e sua luta para manter a supremacia entre os mafiosos de Nova York.

O murmúrio típico de Brando rendeu-lhe o segundo Oscar, mas o ator recusou o prêmio, e na festa de entrega atacou a política indigenista dos Estados Unidos. Há quem veja nas controvertidas cenas de sexo explícito de O último tango em Paris, rodado no mesmo ano, os primeiros sinais de decadência do ator.

Brando, porém, sempre gostou de escândalos, desafios e provocações. Nos últimos anos, passou a cobrar cachês astronômicos por pontas em filmes como Apocalypse now, A ilha do Dr. Moreau e Duelo de gigantes.

Em Queimada (1996), foi o agente inglês que instigou a revolta dos nativos de uma ilha contra os colonizadores portugueses. Segundo alguns críticos, nesse papel, Brando representou com perfeição a imagem do colonialismo. Em 2001, ano em que faleceu, ainda rodou A cartada final, ao lado de Robert de Niro.

Brando concluiu sua autobiografia com a seguinte frase: "Nunca me canso de esperar pelo próximo pequeno milagre".

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