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A extrema direita renasce na Espanha

03/12/2018 13h15

Partido Vox conquista cadeiras no Parlamento regional de Andaluzia, marcando o maior êxito eleitoral ultradireitista desde o fim da ditadura do general Francisco Franco, em 1975.A Espanha vive um momento de perplexidade política após o partido ultradireitista Vox surpreender nas eleições regionais na Andaluzia neste domingo (02/12) e conseguir pela primeira vez representação em um Parlamento regional espanhol, na maior e mais populosa comunidade autônoma do país.

O partido nacionalista conquistou 12 das 109 cadeiras do Parlamento da região autônoma do sul da Espanha, obtendo o maior êxito eleitoral de um grupo de extrema direita desde a volta da democracia ao país em 1975, com o fim da ditadura do general Francisco Franco.

O resultado faz com que a Espanha deixe de ser um dos últimos países da Europa sem uma agremiação de extrema direita de peso.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que governa a região há 36 anos, foi o mais votado nas eleições regionais, ainda que tenha registrado uma perda de 47 para 33 cadeiras – o pior resultado da história da sigla esquerdista.

Os socialistas deverão ter dificuldades para formar uma coalizão de governo, após todas as demais forças políticas rejeitarem apoiar um executivo liderado pela atual presidente, Suzana Díaz.

Em setembro, Díaz justificou a decisão de convocar eleições antecipadas em razão da falta de estabilidade de seu governo, após perder o apoio do partido Cidadãos, sigla de centro-direita que foi a que mais cresceu nas eleições, passando de 9 parlamentares regionais para 21.

O resultado surpreendente do Vox foi destaque na imprensa espanhola. O jornal El País afirmou se tratar de "um terremoto político de alcance histórico, que ninguém – nem as pesquisas, nem os especialistas – foram capazes de prever". O jornal afirma que a vitória dos direitistas serve como alerta para outras eleições importantes que ocorrerão na Espanha em 2019.

O Vox foi criado em 2013 com o objetivo de atrair eleitores frustrados com o Partido Popular (PP) do então primeiro-ministro Mariano Rajoy, com um discurso conservador centrado na defesa da família tradicional, da monarquia e da unidade do país frente aos movimentos de independência de regiões como País Basco e a Catalunha. O PP amargou um revés nas eleições andaluzes, diminuindo de 33 para 26 membros de sua bancada no parlamento.

A crise gerada pela declaração unilateral de independência da Catalunha no ano passado aumentou a visibilidade dos ultradireitistas, reforçada pelo aumento da chegada de migrantes do norte da África, que este ano transformou a Espanha no principal destino de refugiados rumo à Europa, superando a Itália. A maioria desses migrantes chega ao país através da Andaluzia.

Um vídeo do Vox divulgado antes das eleições, intitulado "Andaluzia pela Espanha", viralizou na internet ao mostrar o líder do partido, Santiago de Abascal, em uma cavalgada com um grupo de apoiadores, numa referência à "Reconquista" espanhola dos territórios ocupados pelos muçulmanos nos séculos 13 e 15.

As eleições andaluzes eram consideradas um teste para o governo minoritário socialista, que chegou ao poder há seis meses, e também para a direita, a poucos meses das eleições nacionais e europeias em maio. O primeiro-ministro Pedro Sánchez, que vem tendo dificuldade em aprovar suas políticas em Madri, contava com um reforço do apoio popular.

A Comunidade Autônoma de Andaluzia possui mais de 8 milhões de habitantes, distribuídos em mais de 87 mil quilômetros quadrados, sendo a segunda maior região da Espanha, atrás de Castela e Leão.

RC/lusa/dpa

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