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Juan Guaidó exige eleições "reais" para fim da crise na Venezuela

27/01/2019 09h55

Fortalecido pelo ultimato das nações europeias, autoproclamado "presidente interino" apresenta condições para eventual diálogo com governo Maduro. Adido militar venezuelano nos EUA afirma apoio ao oposicionista.O líder da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, insistiu neste sábado (26/01) que a solução para a severa crise no país passa pela convocação de eleições "reais" e com garantias. Na quarta-feira ele se autoproclamou "presidente interino" da Venezuela.

O oposicionista assegurou impôs condições ao governo de Nicolás Maduro: "Não nos prestaremos a diálogos falsos e muito menos a participar de eleições que não tenham as condições reais", disse em assembleia aberta, com centenas de simpatizantes, no leste de Caracas.

As afirmações de Guaidó coincidem exigência de vários países europeus para que Maduro anuncie eleições. Os governos da Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Portugal e a Holanda ameaçaram rconhecer Guaidó como presidente interino da Venezuela, caso essa condição não seja cumprida nos próximos oito dias.

A decisão dessas nações intensifica a pressão internacional sobre Maduro, que governa desde 2013, e levou Guaidó a reiterar que compartilha o chamado às eleições como fórmula para destravar a crise política. Por sua vez, o governo em Caracas recusou-se, perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, a realizar eleições para resolver o conflito que se vive no país, como pediu a União Europeia.

O assunto divide a ONU: o bloco liderado pelos Estados Unidos é contra a manutenção de Maduro no poder, enquanto o encabeçado pela Rússia e a China defende o atual regime.

Perante o Conselho de Segurança, o ministro do Exterior da Venezuela, Jorge Arreaza, rebateu com veemência a exigência dos países europeus: "A Europa dá-nos oito dias de quê? [...] de onde tiraram a ideia que podem dar-nos ultimatos?" Depois de perguntar por que não convocavam eleições em Espanha ou no Reino Unido, Arreaza criticou com mais virulência os EUA.

"Os Estados Unidos não estão por trás do golpe de Estado, estão na vanguarda [...], dão e ditam as ordens, não só à oposição venezuelana, mas também aos estados-satélites." Ele classificou a política americana para a Venezuela como "grosseira intervenção" e "ingerência".

Também acusou o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, de ter dado "luz verde" ao "golpe de Estado" num recente vídeo em que mostrou apoio a Guaidó e às manifestações convocadas pela oposição.



Neste ínterim, o coronel José Luis Silva, até agora adido militar da embaixada da Venezuela em Washington, anunciou seu apoio a Guaidó. "Eu, na minha posição de adido de Defesa da Venezuela nos Estados Unidos, não reconheço Nicolás Maduro como presidente da Venezuela", afirmou a partir de Washington, durante uma entrevista telefônica ao diário El Nuevo Herald, de Miami.

O governo venezuelano informou neste sábado, através de sua Chancelaria, que os EUA "levaram a cabo o retiro efetivo do pessoal da missão diplomáticas" em Caracas, e que ambos os países concordaram em manter negociações para o estabelecimento de um escritório de interesses em cada capital.

Na última quinta-feira, o presidente Maduro exigira que os diplomatas americanos se retirassem do país até o domingo, o mais tardar, diante da alegada insistência de seu homólogo Donald Trump em impor um governo de fato. Por sua vez, os representantes venezuelanos deveriam fechar todas as embaixadas e consulados nos EUA.

AV/efe,lusa

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