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Erdogan pede punição severa para atirador na Nova Zelândia

19/03/2019 19h44

Presidente turco afirma que, se Justiça neozelandesa não punir autor de massacre em mesquitas adequadamente, a Turquia o fará. Líder lamenta ainda abolição da pena de morte por Ancara.O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta terça-feira (19/03) que se a Justiça da Nova Zelândia não punir adequadamente o autor do massacre de Christchurch, que matou 50 pessoas em duas mesquitas na sexta-feira, a Turquia o punirá.

"Matou de forma vil, abjeta e pérfida 50 de nossos irmãos que estavam rezando. Mas pagará por isso. Se a Nova Zelândia não o fizer pagar, nós saberemos fazer isso, de uma maneira ou outra", disse Erdogan ao mencionar o massacre durante um comício eleitoral na cidade de Zonguldak, no norte da Turquia, segundo a agência turca Anadolu.

Erdogan não afirmou como pretende punir o atirador. Durante o discurso, o presidente lamentou que as leis neozelandesas sejam pouco severas e que "a vida humana seja tão barata" e afirmou se arrepender de a Turquia ter acabado com a pena de morte.

"Nós cometemos um erro: abolimos a pena de morte. Acho que foi um erro", afirmou Erdogan, reiterando, como tem feito desde 2016, que assinaria a reintrodução da pena capital caso o Parlamento turco a aprovasse.

Nas reformas para se aproximar da União Europeia (UE), a Turquia aboliu a pena de morte em 2004 e necessitaria reformar a Constituição para voltar a introduzir essa punição, algo que é descartado devido à divisão de forças no atual cenário político do país.

Durante o comício, Erdogan ignorou as críticas e voltou a exibir alguns trechos do vídeo gravado pelo suposto terrorista, Brenton Tarrant. A gravação mostra o atirador entrando em uma mesquita e matando dezenas de pessoas. A exibição das imagens em eventos eleitorais na Turquia foi repreendia pelo ministro do Exterior da Nova Zelândia, Winston Peters, por colocar em risco neozelandeses que estão em outros países.

Antes do atentado, Tarrant, um australiano de 28 anos, escreveu um manifesto no qual explica que pretendia criar um clima de medo entre os muçulmanos. Erdogan novamente expõe alguns trechos do texto.

A Turquia realizará eleições municipais no dia 31 de março, mas, apesar de não ser candidato, Erdogan participa diariamente vários comícios para pedir votos ao seu partido, o islâmico Justiça e Desenvolvimento (AKP).

CN/ap/rtr/efe/dpa

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