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Polícia prende suspeito de mandar matar líder de movimento social

Nádia Pontes

27/03/2019 20h54

Fazendeiro é apontado como mandante de duas chacinas que deixaram seis mortos no Pará, entre eles Dilma Ferreira Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens. Irmãos suspeitos de executar os crimes estão foragidos.Quatro dias após o assassinato de Dilma Ferreira Silva, uma das lideranças do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Polícia Civil do Pará prendeu o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, de 43 anos, apontado como mandante do crime.

Segundo a força-tarefa da Polícia Civil do estado, o fazendeiro encomendou a morte de Dilma; do marido dela, Claudionor Amaro Costa da Silva, de 43 anos; e de Milton Lopes, de 38 anos, amigo do casal. O objetivo seria ocupar uma parte das terras onde os três viviam.

O suposto mandante, preso na terça-feira (26/03), é dono de uma fazenda que fica a 14 quilômetros do assentamento Salvador Allende, onde a líder comunitária foi encontrada com a garganta cortada e mãos amarradas na sexta-feira passada.

Fernandinho, como o fazendeiro é conhecido, é acusado de fazer grilagem de terras e contratações irregulares de funcionários, além de ter envolvimento com tráfico de drogas, agiotagem, receptação, roubo a banco, homicídio e tentativa de homicídio.

Em nota, o delegado-geral Alberto Teixeira informou que o suposto mandante estaria construindo uma pista de pouso clandestina em sua propriedade, que seria usada por traficantes na região.

De acordo com as investigações, o suspeito não queria ser "incomodado" por representantes de movimentos sociais em suas atividades criminosas e, por isso, encomendou o assassinato.

Os executores do crime, segundo a polícia, são os irmãos Glaucimar Francisco Alves, Alan Alves, Marlon Alves e Cosme Francisco Alves. Também há mandados de prisão contra eles, que ainda estão foragidos. Nesta quarta-feira, a polícia prendeu Maria Alice Francisca Alves, mãe dos quatro.

Entre os objetos encontrados no local da prisão, em Tucuruí, estava uma caixa de som que pertencia à ativista morta e que havia sido roubada no dia do assassinato. O equipamento ainda teria marcas de sangue e foi levado para perícia.

Além dos assassinatos no assentamento Salvador Allende, os quatro irmãos são acusados de outro triplo homicídio, registrado no último domingo. As vítimas, um casal de caseiros e um tratorista, trabalhavam na fazenda de Fernando Ferreira Rosa Filho e tiveram os corpos carbonizados.

Segundo a polícia, o fazendeiro também seria o mandante dessa segunda chacina. Nesse caso, as autoridades acreditam que ele queria evitar ações trabalhistas na Justiça.

À frente do MAB, Dilma Ferreira Silva, de 45 anos, atuava na elaboração de uma política nacional que garantisse direitos a pessoas atingidas por barragens. No fim da década de 1970, durante a construção da hidrelétrica de Tucuruí, Dilma fez parte das cerca de 30 mil famílias removidas compulsoriamente por causa do empreendimento.

O MAB reconheceu a agilidade da polícia na investigação e afirmou que seguirá exigindo "o fortalecimento dos mecanismos de proteção aos defensores dos direitos humanos e militantes para que isso não volte a acontecer".

"As prisões são importantes no combate à impunidade para esses tipos de crime. A gente espera que seja esse mesmo o mandante e que, se for comprovada a culpa, ele pague pelo crime que encomendou", afirmou Iury Charles Paulino Bezerra, do MAB. "Nós temos também que sanar a origem desses conflitos."

O Brasil é o país com maior número de assassinatos de ambientalistas, segundo levantamento da ONG britânica Global Witness. Em 2017, foram 57 mortes só em território brasileiro, entre os 207 assassinatos contabilizados em todo o mundo.

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