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A influência do eleitorado jovem nas eleições europeias

Maximiliane Koschyk (rw)

25/05/2019 18h17

Jovens que votam pela primeira vez podem ser fundamentais para mudanças no cenário político europeu no longo prazo. Desconhecendo uma vida sem a UE, eles veem o bloco de forma bem diferente que os pais ou avós.Em seu pronunciamento no Parlamento Europeu, em abril, a jovem ativista sueca Greta Thunberg apelou aos eleitores para que compareçam às urnas nas eleições europeias e pediu aos jovens que pressionem o Parlamento Europeu para que tenha em conta as reivindicações de quem ainda não pode votar. As manifestações das sextas-feiras do movimento "Fridays for Future" a que ela conclamou inspiraram centenas de milhares de jovens em todo o mundo a protestar pela proteção do clima.

Por ter 16 anos, a sueca ainda é muito jovem para votar nestas eleições ao Parlamento Europeu. Mas muitos outros jovens podem votar pela primeira vez este ano. São 28 milhões de eleitores que pela primeira vez terão a oportunidade mudar a política europeia.

Com 400 milhões de eleitores, a votação ao Parlamento da União Europeia (UE), de 23 a 26 de maio, é a segunda maior eleição democrática do mundo, após as eleições parlamentares na Índia.

Muitos jovens do bloco europeu saíram às ruas nas últimas semanas demonstrando suas preocupações. Na Alemanha, por exemplo, protestaram contra a reforma de direitos autorais na internet, aprovada em abril. Já no Reino Unido, manifestaram-se contra a saída do país da UE.

Mas que influência tem a juventude europeia com o seu voto? O Parlamento Europeu é eleito de cinco em cinco anos. Os eleitores que votam pela primeira vez em 2019 têm entre 18 e 22 anos. A análise de dados da DW mostra que a proporção de eleitores que votam pela primeira vez na UE se situa entre 5% e 8% de todo o eleitorado. Considerando os eleitores com menos de 30 anos de idade, os jovens eleitores europeus chegam a representar 20% do eleitorado.

Os eleitores jovens muitas vezes são considerados preguiçosos na hora de ir às urnas. Isto pode acontecer também nesta eleição. De acordo com uma previsão do Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR, do inglês), a participação dos jovens poderá ser a mais baixa entre todas as faixas etárias.

Mas, se fizerem uso do seu direito de voto, poderão ter uma grande influência na distribuição dos mandatos, especialmente nos Estados da UE onde as preferências políticas variam muito de geração para geração.

"O partido Pirata da República Tcheca é duas vezes mais popular entre os jovens eleitores do que entre todos os eleitores tchecos", explica Pawel Zerka, do ECFR. E o partido polonês Wiozna só existe desde o início do ano, mas, com previsões de 10%, poderia conquistar até seis dos assentos da Polônia no Parlamento da UE.

Entretanto, nem todos os partidos voltados aos jovens eleitores são bem-sucedidos. De acordo com as previsões, o partido juvenil europeu VOLT não tem perspectivas de conseguir mandatos no Parlamento Europeu. No Reino Unido, os partidos explicitamente pró-europeus estão muito atrás do Partido Trabalhista quando se trata da preferência dos eleitores estreantes.

Isso porque os jovens da União Europeia veem o bloco de forma muito diferente que seus pais ou avós. Eles não conhecem a vida sem a UE. Alguns deles nunca tiveram outra moeda no bolso a não ser o euro. Nasceram numa Europa unida, mas cresceram numa UE abalada. A crise financeira destruiu as perspectivas econômicas, especialmente para os jovens do sul da Europa. Como nunca passaram por um conflito militar ou nem mesmo pela Guerra Fria, o futuro deles conta mais do que o passado, salienta Pawel Zerka. "Eles não aceitam prontamente a ideia da UE como um projeto de paz."

O mais importante para eles é o futuro profissional e a ecologia. Partidos com tais perspectivas marcam mais pontos com eles. "Isto aplica-se sobretudo aos partidos verdes na Alemanha, Áustria, França, Suécia e Holanda", afirma Zerka. Justamente estes partidos conseguiram mais de um mandato no Parlamento Europeu nas últimas eleições e poderiam ampliar seu número em 2019.

Os populistas são igualmente favoritos entre os jovens. "Em alguns países, um número considerável de jovens se sente atraído por partidos de direita ou antiburgueses", diz Zerka. Partidos como Jobbik na Hungria, Vox, na Espanha, e Kotleba, na Eslovênia, por exemplo, recebem a aprovação de jovens eleitores.

Os eleitores jovens são influenciados não apenas pelos programas dos partidos, mas também pelos cartazes de propaganda eleitoral. Na última legislatura, a idade média dos deputados no Parlamento Europeu era de 55 anos. O deputado mais jovem tinha 28 anos, e o mais velho, 90. A idade média pode diminuir agora, ao menos considerando a idade dos principais candidatos. Os populistas de direita do partido Rassemblement National, da França, chegaram mesmo a nomear Jordan Bardella, de 23 anos, como principal candidato.

Convencer os jovens eleitores a participar da votação é um investimento de longo prazo para os políticos. A forma como os jovens votam nas sua primeira eleição pode ter um efeito duradouro nos seus hábitos políticos, como descobriu o Centro de Pesquisas Pew em um estudo de longo prazo. A sua conclusão é que os hábitos políticos dificilmente mudam ao longo da vida. Ou seja, as preferências dos eleitores que votam pela primeira vez neste final de semana podem mudar o cenário político da União Europeia a longo prazo.

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Autor: Maximiliane Koschyk (rw)

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