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O Brasil na imprensa alemã (23/10)

23/10/2019 15h28

Prêmio da Paz para o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, denúncia de familiares de vítimas de Brumadinho contra certificadora TÜV Süd e manchas de óleo nas praias do Nordeste foram destaque na mídia da Alemanha.Taz – Até os joelhos na lama negra (22/10)

Um vazamento de petróleo contamina praias no Nordeste do Brasil. Enquanto o governo desaparece, os voluntários limpam.

Após os devastadores incêndios florestais na Amazônia, o Brasil se encontra em meio a outro desastre ambiental. Um vazamento de óleo se espalha na costa nordeste do país. No início de setembro apareceram as primeiras manchas negras. Atualmente mais de 160 praias em nove estados foram afetadas. Vídeos feitos a partir de helicópteros mostram enormes manchas de petróleo flutuando no mar ao longo da costa.

Os voluntários uniram forças através das redes sociais e começaram a limpar as praias. Os vídeos mostram residentes com lama até os joelhos, tentando retirar o derramamento de óleo – alguns sem roupas de proteção ou luvas. Muito está em jogo para os habitantes da região costeira. O vazamento de petróleo ameaça a subsistência de 144 mil pescadores. Como muitas praias de veraneio estão afetadas, o turismo também está ameaçado.

Para o Brasil, a catástrofe ambiental ocorre no pior momento possível. Após os incêndios florestais na Amazônia e as críticas internacionais à política ambiental, o governo está abalado. Mais uma vez, ele não agiu rápido o suficiente. O presidente Jair Bolsonaro é acusado de falta de ação. "O governo parece mais um espectador à distância", diz [o geólogo e professor da USP Pedro Luiz] Côrtes. Bolsonaro não visitou as regiões afetadas nem se reuniu com os governadores, tampouco decretou estado de emergência. Além disso, ele recebeu muitas críticas por ter extinguido dois comitês do plano de ação de incidentes com óleo, em abril.

Segundo Côrtes, é difícil prever se mais petróleo está por vir, mas parece que o desastre ainda não atingiu seu ápice. O clube de futebol EC Bahia enviou uma mensagem clara na segunda-feira à noite. Para chamar a atenção para o vazamento de petróleo, a equipe vestiu seus jogadores com camisas manchadas de óleo no jogo contra o Ceará.

Tagesspiegel – Sebastião Salgado recebe Prêmio da Paz em Frankfurt (21/10)

Com suas visitas aos povos indígenas na selva amazônica, ele iniciou seu projeto Gênesis. Provavelmente foi graças a essa sua terceira obra histórica – depois de Trabalhadores e Êxodos – que seu nome foi considerado para o Prêmio da Paz pela Associação do Comércio Livreiro Alemão. Pois não é uma obviedade que tal tributo, geralmente reservado a escritores, seja concedido a um fotógrafo.

Em seu discurso de homenagem, Wim Wenders, que retratou Salgado em seu filme O Sal da Terra (2005), indicado para o Oscar, dissipou possíveis dúvidas, dizendo que um fotógrafo não é nada mais que alguém que "repetidamente reescreve o mundo com luz e sombra". O que faz dele alguém essencialmente relacionado com o literato. Mas o mesmo se pode dizer de James Nachtwey, Martin Parr, Gilles Peress ou Raymond Depardon, que tiraram fotos não menos surpreendentes em lugares em crise da humanidade.

O fato de Salgado não ter ficado em silêncio, como muitos de seus colegas após as guerras sanguinárias dos anos 1990, e de ter criado o Instituto Terra para plantar quase três milhões de árvores em sua terra natal desmatada mostra outra característica marcante: seu persistente amor pelas pessoas.

A jornada [de Salgado] pelos estágios de sua carreira é como o sonho de um homem carregado que vê passarem todos aqueles com quem ele se encontrou na vida. Os operários portugueses que fugiram da ditadura de Salazar para o norte da França, as vítimas das catástrofes da seca do Sahel, povos antigos cujas aldeias abandonadas entraram em ruína.

Süddeutsche Zeitung – Denúncia contra TÜV Süd (17/10)

O rompimento da barragem na mina de minério de ferro brasileira Córrego do Feijão, em 25 de janeiro, provocou uma avalanche de lama que desceu vale abaixo com uma velocidade de até 120 quilômetros por hora, encobrindo casas e estradas. O acidente matou pelo menos 272 pessoas, incluindo Natália Fernanda da Silva Andrade, de 32 anos, que trabalhava para a mineradora Vale, operadora da mina.

Agora sua irmã Angélica Amanda da Silva Andrade, junto a quatro familiares de outras vítimas, apresentou uma denúncia na Promotoria de Munique contra um funcionário da TÜV Süd e contra a própria empresa por homicídio culposo, entre outras acusações, como diz a denúncia que o Süddeutsche Zeitung tem em mãos.

"Para nós, no Brasil, os alemães têm a imagem de serem sérios e não corruptos", diz Silva Andrade, de 25 anos e que trabalha como professora. As investigações mostraram, no entanto, que a TÜV Süd foi responsável pelo acidente porque, apesar das preocupações de um de seus auditores, certificou a barragem como segura.

Possivelmente também a pressão da Vale sobre a TÜV Süd teve importância na emissão do certificado. "Como sempre, a Vale coloca a arma em nossos peitos e nos pergunta: e se a barragem não passar [no teste de certificação], eles vão assinar ou não?", lê-se num e-mail interno da equipe local anexado à denúncia.

E uma bomba-relógio está correndo, porque existem 84 outras barragens de construção semelhante no Brasil, das quais 43 estão avaliadas como de alto risco.

CA/ots

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