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Embaixador dos EUA admite pressão sobre ucranianos

05/11/2019 20h57

Representante americano na União Europeia muda depoimento e agora afirma que pacote de ajuda para a Ucrânia só seria liberado se Kiev concordasse em investigar rival de Trump.O embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland, admitiu nesta terça-feira (05/11) ter dito a um conselheiro do governo americano que a Casa Branca não iria conceder um pacote de ajuda militar até que o país europeu prometesse investigar políticos do Partido Democrata, incluindo o ex-vice-presidente Joe Biden.

A admissão foi feita em um depoimento completar prestado por Sondland no âmbito do inquérito de impeachmentque tramita contra o presidente Donald Trump. Inicialmente, ele havia afirmado desconhecer qualquer relação entre a verba congelada e algum pedido de investigação.

Essa é a primeira vez que um membro do alto escalão diplomático dos EUA, que tinha acesso direto a Trump, reconhece que a verba prevista para os ucranianos estava condicionada a uma investigação contra Joe Biden, validando a tese principal apresentada pelos congressistas que pedem o impeachment do presidente dos EUA.

"Eu disse que a retomada da ajuda dos EUA provavelmente não ocorreria até que a Ucrânia fornecesse a declaração pública contra a corrupção de que estávamos falando há muitas semanas", escreveu Sondland em um anexo a seu testemunho diante dos comitês da Câmara dos Representantes que investigam se Trump cometeu a irregularidade.

O embaixador disse que comunicou essa mensagem a Andrei Yermak, um conselheiro do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, durante uma reunião em Varsóvia em 1º de setembro.

Os comitês que investigaram o caso ucraniano divulgaram nesta terça-feira uma transcrição do testemunho original de Sondland, feito a portas fechadas no dia 17 de outubro, assim como o anexo que o embaixador americano na UE enviou ontem aos congressistas.

Nesse anexo, Sondland afirma que a presença de outras testemunhas "refrescou a memória de certas conversas" relativas à Ucrânia das quais participou em setembro. No final de outubro, o diplomata Bill Taylor, encarregado de negócios da embaixada dos EUA na Ucrânia, já havia divulgado essa versão, alegando que a ouviu do próprio Sondland.

Embora Sondland diga que "ainda" não sabe "por que foi suspensa" a entrega de 400 milhões de dólares à Ucrânia, ele também afirma: "No início de setembro, e na ausência de explicações confiáveis sobre a suspensão da ajuda, assumi que essa suspensão estava ligada à declaração proposta de luta contra a corrupção".

Sondland fazia alusão ao pedido de Trump, feito em uma conversa telefônica com Zelensky em julho, de que a Ucrânia investigasse o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden e os negócios de seu filho Hunter com a empresa de gás ucraniana Burisma.

Após o primeiro depoimento de Sondland diante dos comitês, em outubro, várias testemunhas afirmaram que o embaixador da UE havia admitido a elas que a ajuda à Ucrânia tinha sido condicionada a fins partidários.

Com a própria admissão de Sondland sobre esse ponto, "o truque do presidente (sobre a Ucrânia) ficou ainda mais claro", disseram em comunicado os líderes democratas dos três comitês que investigam Trump.

Os comitês também revelaram uma transcrição do testemunho do ex-enviado especial dos EUA à Ucrânia, Kurt Volker, que, juntamente com Sondland e o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, formaram um grupo conhecido como "Três Amigos" e que era encarregado da política para o país europeu.

Trump teria instruído o trio a coordenar a política ucraniana com seu advogado pessoal e ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que reiterou que o governo ucraniano deveria investigar os democratas, e os quatro dirigiam um "canal paralelo" que contornava diplomatas como a ex-embaixadora americana Marie Yovanovitch.

JPS/efe/ots

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