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Bolsonaro oficializa saída do PSL

19/11/2019 19h18

Presidente assina desfiliação da legenda e deve lançar nos próximos dias seu novo partido, Aliança pelo Brasil. Senador Flávio Bolsonaro segue passos do pai e também deixa o PSL.O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta terça-feira (19/11) a desfiliação do PSL, durante uma reunião no Palácio do Planalto com seus advogados. A saída ocorreu em meio a uma disputa pelo poder da legenda pela qual ele foi eleito.

"A matéria está decidida, não tem volta. O presidente está se desfiliando hoje do PSL", anunciou a advogado do presidente Admar Gonzaga. "O PSL, quem quiser, fique com ele. O partido do presidente será outro e, com ele, certamente, virão os leais", acrescentou.

Bolsonaro deve lançar na quinta-feira seu partido, a Aliança pelo Brasil, do qual provavelmente assumirá a liderança. A defesa do presidente afirmou que não há impedimentos legais para ele comandar da legenda.

Além do presidente, seu filho Flávio Bolsonaro, que é senador pelo Rio de Janeiro, também apresentou um pedido de desfiliação do PSL. Os advogados de Bolsonaro disseram que há motivos suficientes para alegar justa causa para a saída de parlamentares da legenda e evitar assim que percam os mandatos.

"O que se viu na postura do presidente do PSL e de todos aqueles que o acompanham é, justamente, uma flagrante falta de compromisso com a transparência e boa gestão do dinheiro púbico", afirmou Gonzaga ao jornal Folha de S.Paulo.

Segunda maior bancada da Câmara, o PSL possui 53 deputados. No Senado, a legenda contava com três senadores, incluindo Flávio. Diversos parlamentares bolsonaristas devem seguir o presidente no novo partido. O deputado Eduardo Bolsonaro (SP) já disse que pretende se filiar ao Aliança pelo Brasil, mas deixará o PSL somente depois da oficialização da sigla.

O primeiro passo para fundar a nova legenda é o recolhimento de quase 500 mil assinaturas, coletadas em ao menos nove estados. Essa lista de apoio deve ser apresentada no momento em que o pedido de abertura for protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisará a questão. Isso deve ocorrer em menos de cinco meses, se a Aliança pelo Brasil quiser lançar candidatos para as eleições municipais de 2020.

A saída de Bolsonaro ocorre após uma batalha entre o clã Bolsonaro e o presidente nacional da sigla, o deputado Luciano Bivar (PSL-PE), pelo controle da legenda, que é alvo de uma série de acusações de candidaturas laranjas. A disputa envolve também o poder sobre os imensos fundos partidários aos quais o partido tem direito – a previsão é que a legenda receba 110 milhões de reais neste ano.

No mês passado, Bolsonaro e mais 23 parlamentares chegaram a entrar com pedido na Procuradoria Geral da República (PGR) para o bloqueio dos repasses do fundo ao PSL e o afastamento de Bivar da sigla, alegando supostas irregularidades cometidas pelo dirigente.

Após passar por sete legendas, Bolsonaro se filiou ao PSL para disputar as eleições presidenciais de 2018, e seus filhos Eduardo e Flávio se tornaram líderes do partido em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Um ex-aliado de Bolsonaro, o ex-ministro Gustavo Bebianno, chegou a assumir interinamente a presidência nacional do partido durante a campanha eleitoral, no lugar de Bivar.

A crise instalada dentro do partido eclodiu após declarações públicas de Bolsonaro, que desencadearam uma troca de farpas entre o presidente e Bivar. Bolsonaro recomendou a um apoiador que "esquecesse" o PSL e afirmou que Bivar "está queimado para caramba" em seu estado, Pernambuco.

Bivar reagiu afirmando que a fala de Bolsonaro foi "terminal". "Ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido", declarou o presidente do partido.

Oficialmente, o grupo de Bolsonaro no PSL manteve o discurso de que está insatisfeito com Bivar por causa da falta de transparência no comando da sigla e a eclosão das suspeitas em torno das candidaturas de fachada em Pernambuco.

Ainda assim, o próprio presidente da República insiste em manter no cargo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que também é suspeito de comandar um esquema similar de candidaturas laranjas em Minas Gerais.

Já os apoiadores de Bivar acusam o grupo do presidente de querer controlar a gorda fatia do fundo partidário que cabe ao PSL desde que a sigla se tornou a segunda maior bancada da Câmara.

CN/ots

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