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Suspeita de maus-tratos paira sobre prestigiada escola de balé em Berlim

Apu Gomes - 11.jul.2014/Folhapress
Imagem: Apu Gomes - 11.jul.2014/Folhapress

Sabine Oelze

26/01/2020 06h52

Humilhação e abusos físicos são algumas das acusações de funcionários e alunos contra Escola Estatal de Balé de Berlim. Investigação é aberta após denúncias. Academia de Viena enfrentou problema semelhante. Sonho ou pesadelo? Aspirantes a bailarino profissional precisam partir do princípio que passarão por uma formação dura. Mas será que ela pode comprometer a saúde? Aparentemente, a Escola Estatal de Balé de Berlim (SBB) teria ido longe demais.

A lista de acusações feitas contra a escola de excelência para jovens talentos é longa. Há a suspeita que o bem-estar infantil de alunas e alunos foi ignorado por anos. Segundo uma reportagem da emissora pública local RBB, pupilos da escola teriam sido humilhados, sofrido chicanas e até abusos físicos.

Comentários ofensivos sobre o peso corporal, por exemplo, teriam levado crianças à bulimia. Professores teriam sempre deixado claro que bailarinos deveriam ser magros. De acordo com o lema: nenhuma comida é a melhor comida, algumas crianças foram aconselhadas a deixar de jantar por uma semana.

Frases como "você está muito gorda" pode causar danos psicológicos, especialmente na adolescência. Além disso, elas causaram desnutrição maciça com o consumo de apenas 100 calorias por dia.

Pais, que poderiam ter controlado essa prática, estavam, porém, frequentemente longe. Muitas das alunas e alunos vêm do exterior e se mudam para um internato na Escola Estatal de Balé na capital alemã.

Depois de concluir a formação, as bailarinas e bailarinos podem ser vistos nos principais palcos do mundo: Moscou, Nova York ou Londres. Para tal, a Escola Estatal de Balé de Berlim não apenas oferece uma formação profissional, mas também a oportunidade de terminar a escola com um diploma do ensino médio e até um título de bacharel.

Um sistema fechado, no qual tudo gira em torno da dança e raramente aberto para observadores de fora. Se fosse diferente, o juizado de menores ou autoridade de administração escolar de Berlim já teria acionado o alarme devido às longas jornadas, que geralmente começam às 7h50 e terminam após as 23h, depois das apresentações.

Até mesmo durante as férias, os alunos e alunas teriam se apresentado. A escola de balé também não teria lhes proporcionado nenhum tempo livre para que se recuperassem dos esforços. Doentes ou machucados: nunca se parou de dançar, de acordo com a reportagem da RBB.

Em dezembro, cerca de 60 funcionários da Escola Estatal de Balé se uniram para apresentar uma "solicitação para garantir os deveres de cuidado". Eles também criticaram a elevada carga de trabalho e a falta de conceitos para proteção da saúde. Segundo os funcionários, existe na SBB uma "cultura do medo" que põe em risco o bem-estar das alunas e alunos.

Berlim não parece ser um caso isolado. Em dezembro de 2019, a direção artística da Academia de Balé de Viena teve que renunciar. Uma comissão especial foi criada para descobrir as causas que levaram crianças a distúrbios alimentares, como anorexia ou bulimia. Ali também foi desconsiderada a proteção aos jovens quanto a períodos de pausa.

A comissão especial constatou que o atendimento médico e terapêutico na academia não era suficiente e sugeriu a contratação de um funcionário responsável pela proteção aos menores.

Até agora, em Berlim, a direção da Escola Estatal de Balé se pronunciou sobre o caso. A autoridade responsável pela administração de escolas do governo local anunciou que vai criar uma comissão composta por sete especialistas de várias áreas para investigar todas as acusações.

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