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Wim Wenders, 75 anos de magia e poesia

Jochen Kürten

14/08/2020 05h39

Wim Wenders, 75 anos de magia e poesia - O diretor Wim Wenders, responsável por filmes como "Paris, Texas" e "O céu sobre Berlim", marcou o cinema alemão com produções que oferecem ao mesmo tempo loucura poética e uma visão sensível da realidade.Wim Wenders é uma das figuras mais proeminentes do cinema alemão. Ele é um dos fundadores do Novo Cinema Alemão, um dos diretores mais conhecidos no país e no exterior, que continua filmando incansavelmente uma produção após a outra, ao mesmo tempo em que está empenhado em representar a causa do cinema em vários palcos do mundo. 

Nos anos 1960, Wenders ajudou o filme alemão a se libertar do molde conservador e de esquecimento da história que marcou o cinema pós-guerra. Com Rainer Werner Fassbinder, Alexander Kluge, Edgar Reitz, Werner Herzog e Volker Schlöndorff, uma nova geração de cineastas alemães entrou em cena naquela época, trazendo novas ideias e contando outras histórias de forma diferente.

Wim Wenders, incansável desde 1967  

O cinema alemão ainda hoje se beneficia disso. Wim Wenders, que nasceu em Düsseldorf e comemora seu 75º aniversário nesta sexta-feira (14/08), tornou-se uma das figuras mais influentes deste que ficou conhecido como Novo Cinema Alemão. 

É surpreendente que Wenders seja tão ativo ainda hoje: Fassbinder morreu há muito tempo, Kluge experimenta com formatos de televisão e escreve livros, os outros ainda filmam de vez em quando, mas suas obras dificilmente atraem tanta atenção quanto as de Wim Wenders. Apenas Werner Herzog consegue acompanhar esse ritmo, embora quase não esteja presente na Alemanha.

Por outro lado, Wenders é agora uma espécie de artista multimídia que se destaca em muitas linhas artísticas: ele faz longas-metragens, documentários, expõe seu trabalho fotográfico no mundo todo, trabalha como professor universitário, é jurado de mostras e festivais, está presente em cerimônias de premiação e muitos eventos de arte. Ele é homenageado em festivais, seus trabalhos são mostrados em retrospectivas e recebem diversos prêmios.

Obras-primas: Paris, Texas e O céu sobre Berlim

Então não é fácil enumerar suas conquistas? É claro que um filme como Paris, Texas – uma expressão de seu amor pelo cinema americano e pelos Estados Unidos, onde ele viveu por muitos anos, supera muitas produções filmadas posteriormente. Por isso, em 1984, Wenders recebeu justificadamente a Palma de Ouro de Cannes. 

Mas O céu sobre Berlim também é uma das obras-primas de Wenders: a visão poética da capital alemã a partir da perspectiva de dois anjos, com imagens fantasticamente belas em preto e branco do ano de 1987.

Mas também vale a pena dar uma olhada nos primórdios. Wenders fez seu nome desde cedo com filmes de estrada de e sobre os estados alemães, como Alice nas cidades e No decurso do tempo. O amigo americano, estrelado por Denis Hopper, estrela do filme Sem destino, marcou em 1977 o desvio cinematográfico para os EUA, o país dos sonhos do cinema.

Alguns anos mais tarde, Paris, Texas abriu as portas para o grande mundo do cinema. A partir de então, Wenders jogou em uma liga própria, mas nunca esqueceu suas raízes alemãs. E, por isso, ele voltou para a Alemanha depois de 16 anos nos EUA.

Wenders não era um homem para Hollywood

Até porque ele também só encontrou ali sua felicidade em fases: Wim Wenders sempre foi um artista e autor de filmes. Um sistema de estúdio de cinema em que o diretor só faz o que o produtor manda – isso não foi realmente feito para ele. Quando todo mundo acreditou que Wenders havia passado o ápice de sua carreira após vários filmes não tão artisticamente convincentes, então esse artista inicialmente quieto e introvertido se reinventou mais uma vez como diretor de documentários.

Wenders desenvolveu um senso aguçado para temas artísticos e espirituais e os transformou em documentários sensíveis, como, por exemplo, Buena Vista Social Club, Pina e, mais recentemente, Papa Francisco – um homem de palavra. Nos últimos anos, o público tem acompanhado seus documentários ainda mais do que seus filmes de ficção, que se perderam um pouco no cotidiano cinematográfico.

O peso do texto nem sempre fez bem para Wenders

É permitido criticar um artista e cineasta tão excepcional em seu 75º aniversário? Wenders certamente sabe que os críticos de cinema e o público arthouse sempre reclamaram particularmente muito de seus últimos filmes de ficção. As críticas eram sempre barulhentas: essas produções são muito pesadas, há muita conversa repleta de significados e o excesso de poesia de Peter Handke estraga as belas imagens.

Certamente há algo nisso. Por causa da trilha sonora, muitos filmes de Wenders perderam muito da elegância e leveza que alcançaram com seu estilo visual e o poder de seus planos bem organizados. Textos que soam recitados simplesmente arruinaram a poesia em muitas partes. Um filme como O céu sobre Berlim, restaurado há alguns anos e apresentado pelo próprio Wim Wenders, deixa isso claro. Por mais maravilhosas que fossem as imagens de Berlim criadas pelo cineasta Henri Alekan, por mais fantásticos que fossem os movimentos da câmera – em algum momento até mesmo o público bem intencionado se cansou do peso dos textos de Handke.

Wim Wenders é um dos grandes nomes da história do cinema alemão

Mas Wim Wenders, que é um artista com um imenso número de interesses e fontes de inspiração, também em termos musicais, não poderia ser mais prejudicado por isso. Seu trabalho cinematográfico e artístico, que esperamos que ainda não esteja terminado, está acima dessas críticas. E com razão também, porque Wenders fez tantos filmes notáveis que hoje na Alemanha podemos dizer com orgulho: ele é uma das grandes e únicas figuras da história do cinema alemão e seu trabalho cinematográfico deve continuar.

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Autor: Jochen Kürten