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Conteúdo publicado há
4 meses

O Brasil na imprensa alemã (19/01)

19/01/2022 14h00

O Brasil na imprensa alemã (19/01) - A destruição causada pelas chuvas e inundações em diversas regiões brasileiras e as ameaças ao ecossistema da Floresta Amazônia foram destaques na mídia da Alemanha.Neues Deutschland - Cheias no Brasil são desastre feito em casa (17/01)

A mídia e os políticos escondem a conexão com a expansão da indústria da soja

Semanas de chuva contínua e três rupturas de barragens inundaram grandes áreas no centro e no leste do Brasil. Inundações e deslizamentos de terra já causaram pelo menos 50 mortes. Mais de 133 mil pessoas perderam suas casas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, Pará, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. A Bahia é atualmente o estado mais atingido. Pelo menos 24 pessoas perderam a vida aqui, e cerca de 100 mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

A mídia de massa e os políticos estaduais atribuem a causa dos eventos às chuvas excepcionalmente fortes para esta época do ano e às mudanças climáticas globais. Mas isso é apenas uma meia verdade. O desastre da inundação também é produto caseiro. Na verdade, anos de desmatamento das savanas do Cerrado no planalto central brasileiro e das altas planícies do Nordeste, assim como a conversão de vastas extensões de terra em monocultura, principalmente plantações de soja, perturbaram gravemente o equilíbrio hídrico da região.

No Brasil, o Cerrado é conhecido como "berço das águas". Abastece oito das 12 maiores bacias hidrográficas do país e rios importantes como o Xingu, o Rio Tocantins e o Rio São Francisco. Porém, mais de 50% dos originalmente cerca de dois milhões de quilômetros quadrados de savana do Cerrado já foram desmatados. Somente entre agosto de 2020 e julho de 2021, mais 8.531 quilômetros quadrados foram sacrificados ao agronegócio, segundo os últimos números do instituto de pesquisas espaciais Inpe, responsável pelo monitoramento florestal via satélite.

O maior desmatamento ocorreu na região agrícola de Matopiba, formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, segundo análises de pesquisadores do instituto de pesquisa ambiental Ipan. De acordo com estatísticas agrícolas oficiais, a área cultivada com soja em Matopiba se multiplicou dos cerca de 600 mil hectares em 1995 para cerca de 8 milhões de hectares hoje. E esses são os estados que foram mais atingidos pelas recentes enchentes.

Frankfurter Allgemeine Zeitung - Amanhecer na floresta tropical (16/01)

ATTO é o nome do projeto, abreviação de Amazonian Tall Tower Observatory, que Williams está coordenando e que a Sociedade Max Planck iniciou em conjunto com o governo brasileiro há alguns anos. No centro do projeto está a torre de aço de 325 metros de altura no Brasil, que “usamos para medir a respiração da floresta tropical”, como diz o químico atmosférico, e isso é feito em diferentes alturas. O que ele quer dizer com isso são os ciclos complexos neste enorme ecossistema, como o carbono.

O ciclo da água também é fascinante. Até as crianças aprendem que a floresta tropical produz seu próprio clima, já que a chuva que cai se evapora rapidamente, então novas nuvens crescem no céu ou mais precisamente: é formada uma camada separada de atmosfera úmida. "Rios flutuantes" é como os cientistas chamam essa maravilha hidrológica que permite que as frentes de chuva que chegam vindas do Atlântico penetrem por dentro do continente e se intensifiquem - criando uma circulação própria, que garante o suprimento de chuva e reduz o risco de seca.

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Alguns cientistas acreditam que o delicado ecossistema da Amazônia já está sofrendo uma reviravolta. Com isso, o gigantesco reservatório de carbono pode se transformar em uma fonte de carbono, que libera mais CO2 do que armazena. Eles se perguntam o que acontecerá com a floresta tropical quando secas se tornarem norma: o ciclo hidrológico entrará em colapso e a floresta tropical se transformará em savana? O que será da biodiversidade?

A seca é um dos principais questionamentos da pesquisa realizada por Williams. De qualquer forma, os modelos climáticos indicam que isso deve ser esperado com mais frequência no futuro, o que é corroborado por observações de anos recentes: em 2005, 2010 e 2015, três secas severas atingiram a Amazônia. Em algumas regiões, a estação de seca aumentou sua duração de quatro para quase cinco meses.

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Pesquisadores da Nasa chegaram a resultados igualmente deprimentes em 2021 usando dados de satélite. “A capacidade das florestas tropicais de armazenar carbono está diminuindo”, conclui o estudo, publicado na Science Advances. Isso afeta principalmente as florestas tropicais na América do Sul e no Sudeste Asiático, onde o desmatamento aumentou significativamente. Esses autores concluem que a Floresta Amazônica agora armazena tanto carbono quanto libera na atmosfera.

Die Zeit - Fugindo da água (12/01)

Nos últimos dias, fortes chuvas caíram no maior país da América do Sul. Enormes massas de água inundaram áreas residenciais, muitas pessoas estão fugindo.

No Brasil, pelo menos dez pessoas morreram em consequência de deslizamentos de terra e inundações após chuvas contínuas, relata a mídia brasileira, citando a Defesa Civil do estado de Minas Gerais.

No sudeste do país, 145 cidades estão em estado de alerta, milhares de pessoas já haviam saído de suas casas. Várias barragens estavam sob observação especial - a barragem da hidrelétrica em Pará de Minas ameaçou romper no domingo.

Desde o início de outubro, 19 pessoas morreram em enchentes em Minas Gerais e mais de 17,2 mil ficaram desabrigadas. O vice-governador Paulo Brant lamenta o "crescimento descontrolado das cidades" e o fracasso no combate à poluição dos rios, que contribuiu para as enchentes.