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05/03/2006 - 14h19

ONU: 850 milhões de pessoas vivem na pobreza em áreas rurais

Porto Alegre, 5 mar (EFE).- As Nações Unidas calculam que cerca de 850 milhões de pessoas (três quartos da população pobre do mundo) vivem em áreas rurais e dependem do acesso à terra e a outros recursos para sua subsistência.

A reforma agrária, o desenvolvimento e a potencialização das comunidades rurais são considerados pela ONU passos indispensáveis para reduzir a pobreza no mundo e alcançar os objetivos que foram fixados por todos os países-membros até 2015.

Essas metas serão o tema principal de uma conferência convocada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) que começará na segunda-feira, em Porto Alegre.

As estatísticas do Banco Mundial mostram que dos 6,24 bilhões de habitantes do planeta, 3,25 bilhões vivem em áreas rurais.

Desse total, pouco mais de um bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia e não conseguem cobrir suas necessidades básicas, e delas, 850 milhões vivem em áreas rurais e dependem da agricultura para sobreviver.

Segundo a FAO, na maioria dos países pobres, a agricultura representa de 50% a 80% do emprego.

A pobreza rural afeta até mesmo países considerados ricos e prósperos, como os Estados Unidos e o Canadá, que, mesmo fazendo parte do grupo de doadores que ajuda os países mais pobres, têm bolsões de pobreza.

Segundo as Nações Unidas, 40% da população da América Latina e do Caribe vive em áreas rurais, e cerca de 64% dos habitantes do campo vivem abaixo da linha da pobreza.

Os estudos do Banco Mundial mostram que cerca de 37% (cerca de 65 milhões de pessoas) dos pobres da América Latina e do Caribe vivem em áreas rurais.

Em países como Bolívia, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Paraguai e Peru, a proporção chega a 70%. No México, 35% da população do campo não ganha o suficiente para comprar a cesta básica de alimentos.

Os povos indígenas constituem o maior grupo dentro da população rural (aproximadamente um terço) nos países da região, e estão entre os mais vulneráveis, por ser os que têm menor acesso a serviços básicos, como educação, saúde e habitação.

Na Guatemala, onde representam mais de 40% da população total, três em cada quatro indígenas são pobres.

Estudos da FAO mostraram que o gasto público rural na América Latina diminuiu nos últimos anos, e a região gasta apenas 6% de seu orçamento no campo.

O Brasil e o México têm grande peso no gasto público, já que representam 70% do total, enquanto que no outro extremo estão Jamaica e Bolívia, por causa dos investimentos menores.

Os países que aumentaram seu gasto público rural entre 1985 e 2001 foram Uruguai, Chile, Panamá, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Paraguai, Argentina, República Dominicana, Peru, Equador e Bolívia, mas houve reduções no Brasil, México, Costa Rica, Jamaica, Venezuela e Colômbia.

As análises do Banco Mundial indicam que a contribuição da agricultura ao Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe é o dobro do que sugerem os números oficiais (12%) e que, portanto, sua importância real está subestimada.

O acesso e o uso da terra constituem um problema sério em toda a região, segundo o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência especializada da ONU que busca erradicar a pobreza através do desenvolvimento rural.

A FIDA ressalta que a maioria dos produtores agrícolas da região trabalha em pequenos terrenos, normalmente localizados em áreas marginais de baixa produtividade, o que contribui para a deterioração dos recursos naturais.

O resultado disso é que as atividades não agrícolas e as remessas de trabalhadores que emigraram para outras regiões do país, ou para o exterior, se transformaram em importante fonte de renda para os pobres do campo.

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