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09/03/2006 - 13h41

Blair e Lula promoverão reunião de líderes para impulsionar Doha

Por Pedro Alonso Londres, 9 mar (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, decidiram hoje em Londres promover a realização dentro de pouco tempo de uma reunião de chefes de Estado e de Governo para reativar a estagnada rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Após se reunir com Lula em sua residência oficial de número 10 de Downing Street, Blair também expressou seu "firme apoio" à aspiração do governante latino-americano "para que o Brasil se transforme em membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Outro assunto importante que o primeiro-ministro tratou com o presidente foi a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, morto a tiros no ano passado pela Polícia britânica ao ser confundido com um terrorista suicida.

"Oferecemos nossas mais profundas desculpas à família (de Jean Charles) por esse fato trágico. Garanti ao presidente que a investigação adequada continuará até sua conclusão", declarou o chefe do Governo britânico.

Sobre as negociações da Rodada de Doha, lançada em 2001 pela OMC para ampliar os benefícios do comércio global aos países em desenvolvimento, Blair defendeu a "necessidade" de um acordo "ambicioso" e "corajoso".

"Vamos trabalhar juntos estreitamente, nós com a União Européia e Brasil com o G-20 (nações em vias de desenvolvimento com interesses comuns em agricultura) para convencer o resto dos países" da necessidade da reunião de líderes, cuja data e sede está não foram definidas, explicou o primeiro-ministro.

Em entrevista coletiva conjunta, o chefe do Governo de Londres ressaltou que "este é o momento em que é essencial demonstrar a liderança necessária para superar os obstáculos e conseguir uma rodada ambiciosa".

"Este ano é muito importante para o mundo", insistiu o primeiro-ministro, para quem os "benefícios potenciais de uma rodada dinâmica e ambiciosa não seriam só para os países em desenvolvimento e os ricos, mas também para os países mais pobres".

Por sua parte, Lula, impulsor da idéia de convocar uma reunião ao mais alto nível para abordar a liberalização do comércio em benefício das nações mais pobres, confiou que esse encontro aconteça "o mais rápido possível".

Na opinião de Lula, essa reunião de chefes de Estado e de Governo daria um "empurrão decisivo" às negociações.

"Estou certo de que o Reino Unido e o Brasil farão juntos uma contribuição crucial para desbloquear a rodada de Doha na OMC", disse o presidente.

"Precisamos de medidas concretas e urgentes para fazer com que a ordem mundial seja mais equilibrada e igualitária", ressaltou Lulano último dia de sua visita de Estado de três dias ao Reino Unido.

Ambos abordaram essa questão na reunião que neste fim de semana realizará em Londres o chamado Grupo dos Seis (G6), integrado pela União Européia (UE), Estados Unidos, Japão, Austrália, Brasil e Índia.

O G6 tentará alinhar posturas a fim de que os 149 países da OMC consigam em abril um acordo sobre as modalidades da rodada de Doha para a liberalização comercial.

As negociações da rodada de Doha estão em um momento crítico, por causa do consenso mínimo alcançado na reunião ministerial de Hong Kong de dezembro passado, em que foi fixado um prazo até 30 de abril para que os membros da OMC alcancem um acordo.

O "ponto essencial" da questão é que os países emergentes e em desenvolvimento querem que a UE e os EUA abaixem substancialmente seus subsídios agrícolas, enquanto Bruxelas e Washington insistem em que as nações pobres devem abrir mais seus mercados de bens industriais e serviços.

Após a entrevista coletiva, Lula almoçou com Blair em Downing Street antes de ir ao aeroporto londrino de Heathrow para retornar ao Brasil.

Antes de pegar o avião e encerrar sua visita oficial, o presidente manterá uma reunião privada com parentes de Jean Charles, que merecem, segundo comentou o próprio líder brasileiro, que "descubramos o que aconteceu" e que "se faça justiça".

Jean Charles foi morto em 22 de julho na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres) por agentes que o confundiram com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior contra a rede de transporte da capital.

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