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09/03/2006 - 09h50

Muro erguido por Israel já deslocou 15 mil palestinos, diz ONU

Genebra, 9 mar (EFE).- O muro que Israel constrói na Cisjordânia já provocou o deslocamento de cerca de 15 mil palestinos, apesar de ainda faltar erguer mais da metade da construção, segundo o relator da ONU para os territórios palestinos ocupados, John Dugard.

"Toda essa geração de deslocados constitui uma nova categoria de refugiados palestinos", sustenta Dugard no relatório que elaborou para a próxima sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que começa na segunda-feira em Genebra, e que foi divulgado hoje.

A separação das famílias e a dificuldade de acesso a hospitais, centros de trabalho e escolas são outras "graves conseqüências humanitárias", indica o documento.

De acordo com Dugard, as restrições sobre os deslocamentos dos palestinos são "em grande medida responsáveis pela crise humanitária que persiste em seus territórios", onde metade da população vive abaixo do limite da pobreza", com menos de US$ 2 por dia.

A construção do muro, avaliada em 1,77 bilhão de euros, começou em 2002 para impedir a entrada de terroristas suicidas a Israel e conter a população palestina em zonas isoladas, segundo seus responsáveis, que esperam que os trabalhos de construção terminem em 2007.

A Corte Internacional de Justiça de Haia disse que a edificação da barreira por Israel é "ilegal", contrária ao direito internacional, por isso devia ser destruída, e os palestinos afetados deviam ser indenizados.

Ainda assim, e segundo os dados do relator, Israel já construiu 275 dos 670 quilômetros previstos para a barreira, enquanto as colônias judaicas continuam se espalhando, particularmente entre a Linha Verde e essa edificação, onde já residem cerca de 76% dos colonos da Cisjordânia.

Dugard assinala em seu relatório que o sistema utilizado pelas autoridades militares israelenses para conceder as permissões de residência é "humilhante", e que até 40% das solicitações são rejeitadas.

Embora o relator comemore a retirada da Faixa de Gaza, ele adverte que "não significa que a ocupação do território tenha acabado", já que Israel "continua controlando-a continuamente, tanto pelos acessos aéreos, como marítimos e terrestres".

Com relação ao "Mapa do Caminho " (o plano de paz elaborado pelos EUA, as Nações Unidas, a Rússia e a União Européia), reivindica uma revisão por estar "completamente defasado" e pede que, quando seja feita, leve-se em conta o respeito dos direitos humanos de todos os afetados.

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