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10/03/2006 - 16h33

Ofensiva da Farc tumultua o clima das eleições colombianas

Bogotá, 10 mar (EFE).- Mais de 26 milhões de colombianos devem ir às urnas para escolher aos 268 membros do Congresso entre cerca de três mil candidatos, em meio a uma ofensiva "tradicional" da guerrilha das Farc.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que "historicamente" tentam sabotar as eleições, lançaram há três semanas uma onda de ataques em mais de um terço do país. Até o momento o saldo é de mais de 25 mortos e 15 feridos.

O próprio comandante das Forças Militares, general Carlos Alberto Ospina, admitiu a "campanha sangrenta" dos rebeldes das Farc em 15 dos 33 departamentos do país, com a pretensão de impedir o comparecimento dos eleitores. Ospina, porém, afirmou que os homens de todas as instituições armadas, mais de 280 mil, garantirão a segurança no domingo.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, insistiu hoje em solicitar uma votação em massa para fortalecer a democracia, "que é a antítese do terrorismo".

Uribe, em declarações a jornalistas dois dias antes do pleito, admitiu que há algumas perturbações da ordem em várias regiões, devido às ações das Farc.

A principal guerrilha colombiana declarou uma "greve armada" (restrição ao transporte) em dezenas de estradas, atacou quem se arriscou a transitar e queimou caminhões, ônibus e carros particulares, além de destruir pontes e torres de condução elétrica e telefônica.

A essas intimidações das Farc se somam dezenas de denúncias de "pressão" dos paramilitares associados nas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

As denúncias foram apresentadas especialmente nas zonas de forte influência dos paramilitares, que intimidaram os habitantes a votarem a favor de determinados candidatos. Eles também proibiram os outros de fazer campanha em seus territórios.

"Convido os colombianos a votarem em quem quiserem, mas que votem maciçamente. A democracia é a antítese do terrorismo", ressaltou hoje Uribe ao rejeitar a violência e a intimidação, seja da esquerda ou da extrema direita.

O presidente colombiano justificou também sua aspiração à reeleição (nas eleições presidenciais de 28 de maio), "precisamente para manter as medidas necessárias para resistir à violência".

"Sabemos que nos falta muito em segurança. Se tudo estivesse feito, eu não pensaria em reeleição", explicou o presidente. Ele se disse consciente de atualmente existirem "dificuldades no sul do país", mas acredita que "as Forças Militares fazem esforços para superá-las".

Uribe prometeu que no domingo "haverá segurança durante as eleições".

O ministro do Interior e de Justiça, Sabas Pretelt, lembrou que as Farc sempre atuam para tentar desestabilizar as eleições.

Pretelt, da mesma forma que o vice-presidente Francisco Santos, anunciou uma "cobertura de segurança" de 98 a 99%, para garantir a integridade dos eleitores, dos candidatos e das mesas.

A Organização Eleitoral colombiana informou que serão cerca de 75 mil urnas, dispostas em 11 mil postos de votação nos 1.098 municípios do país, para mais de 26,3 milhões de eleitores.

Os eleitores poderão escolher entre candidatos de 59 partidos, distribuídos em 465 listas inscritas.

Nem todos são políticos tradicionais. Nas listas aparecem conhecidos atores de teatro e TV, cantores, jornalistas, sacerdotes e pastores de diversas igrejas, desportistas, candidatos das minorias, humoristas, misses, um toureiro e militares da reserva, numa ampla gama de candidatos.

Além disso, os colombianos poderão escolher os candidatos presidenciais do Partido Liberal, entre quatro aspirantes, e do Pólo Democrático Alternativo, com duas opções. Os vencedores, no dia 28 de maio, enfrentarão Uribe, amplo favorito nas intenções de voto para ser reeleito.

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