UOL Notícias Notícias
 

13/03/2006 - 17h56

Bush defende a guerra no Iraque com ataque verbal ao Irã

Por Macarena Vidal Washington, 13 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusou hoje o Irã de proporcionar ajuda aos grupos insurgentes no Iraque, em um discurso com o objetivo de defender a guerra no país, empreitada cada vez menos popular entre os americanos.

O discurso, pronunciado na Universidade George Washington da capital americana, faz parte de uma campanha da Casa Branca para tentar recuperar o apoio a essa guerra e ao próprio presidente, às vésperas do terceiro aniversário do conflito.

A popularidade de Bush caiu para 37%, o nível mais baixo de seu mandato, devido em parte à diminuição do apoio interno à guerra no Iraque e aos temores dos americanos sobre uma possível guerra civil no país, multiplicados após o atentado contra a Mesquita Dourada de Samarra no mês passado e a violência sectária que se seguiu.

Bush tentou minimizar esses temores e assegurou que, apesar dos enfrentamentos iniciais após o atentado, os iraquianos não estão dispostos a iniciar uma guerra civil.

"Os iraquianos olharam o abismo e não gostaram do que viram", disse Bush, que sustentou que as bombas dos insurgentes não impedirão que o Iraque forme um Governo de união nacional e acabe sendo um país pacífico, democrático e próspero.

"Como os terroristas sabem que não podem derrotar-nos militarmente, recorrem à ferramenta que lhes resta, a do medo", disse o presidente, que ressaltou que os insurgentes recorrem cada vez mais aos chamados "artefatos explosivos improvisados" (IED, na sigla em inglês).

Alguns dos artefatos explosivos mais potentes, afirmou, "incluem componentes procedentes do Irã", ao se referir a uma tendência que parece ter aumentado nos últimos tempos.

"Forças da coalizão apreenderam IED e componentes que claramente foram fabricados no Irã", acrescentou Bush.

Com essa estratégia, somada a seu programa de armamento nuclear, o Irã só consegue "se isolar da comunidade internacional", e os EUA "continuarão pressionando o mundo para fazer frente a essas ameaças", sustentou o presidente.

Em seu discurso, Bush assegurou que seu país está dedicando todos os recursos que pode para fazer frente a essa ameaça e para desenvolver tecnologias que permitam detectar e desativar tais explosivos.

De forma concreta, afirmou que foram destinados US$ 3,3 bilhões ao desenvolvimento dessas tecnologias.

Bush também abandonou o triunfalismo que tinha caracterizado seus primeiros discursos sobre a guerra e reconheceu que "ainda resta muito trabalho árduo pela frente".

"Haverá ainda mais combates duros, haverá ainda mais dias de luta" e serão vistos novos "massacres", admitiu Bush, que no entanto insistiu em que seu Governo "não voltará atrás" e acabará alcançando o objetivo de um Iraque pacífico e democrático.

A campanha da Casa Branca para promover o apoio à guerra também contará, nos próximos dias, com os discursos do vice-presidente Dick Cheney e da secretária de Estado, Condoleezza Rice.

A eficácia da estratégia de um bombardeio de discursos sobre o Iraque para popularizar a guerra já está provada.

Em novembro passado, Bush já a empregou com sucesso em um dos piores momentos de seu mandato, quando sua popularidade estava em queda livre depois do anúncio do soldado americano morto de número 2 mil no Iraque e das acusações por corrupção contra um dos mais altos funcionários da Casa Branca.

Nesta ocasião, o presidente se vê acossado pelo fracasso de um acordo, que ele apoiava pessoalmente, para que uma empresa árabe assumisse o controle de seis portos americanos.

A isso se somam as recorrentes notícias da má gestão do Governo na crise deixada pelo furacão "Katrina", e o escândalo criado em torno de um programa de escutas das comunicações entre os EUA e o exterior.

Esse escândalo deverá fazer com que um senador democrata, Russ Feingold, proponha uma moção de censura contra o presidente, algo que só ocorreu uma vez na história dos EUA, em 1834 contra Andrew Jackson.

O documento é, a princípio, meramente testemunhal e não acarreta conseqüências legais, mas de qualquer forma requer a aprovação por maioria simples da Câmara, e os republicanos já a tacharam como "uma manobra política de mal gosto".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host