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15/03/2006 - 20h58

Wolfensohn alerta que fim de ajuda à Palestina elevará violência

Washington, 15 mar (EFE).- Os países doadores devem achar uma forma de manter a ajuda aos palestinos sem passar por um Governo dominado pelo Hamas, porque se não haverá mais violência, disse hoje o enviado do Quarteto mediador entre israelenses e palestinos, James Wolfensohn.

"O colapso dos serviços de saúde e do sistema de educação, prejudicando um milhão de crianças, seria um fracasso total do novo Governo e teria conseqüências trágicas para o povo palestino", advertiu Wolfensohn.

"Isso não deve ser permitido sob nenhuma circunstância", avisou, numa audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA.

Wolfensohn concordou com a posição do Quarteto - formado por Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas - de não dar ajuda orçamentária à Autoridade Palestina se Hamas não renunciar à violência nem reconhecer o estado de Israel.

Além disso, "não se pode esperar que Israel negocie com um Governo da Autoridade Palestina que não aceite sua existência e que peça publicamente sua destruição", disse Wolfensohn, um ex-banqueiro de Wall Street e ex-presidente do Banco Mundial.

No entanto, eliminar ou reduzir a ajuda aos palestinos seria um erro e poderia radicalizar a sociedade. "Não acho que se possa ter um milhão de palestinos morrendo de fome e conseguir paz", alertou.

Wolfensohn disse que o Quarteto estuda como financiar a organizações não-governamentais e agências da ONU para manter o serviço de saúde, que agora depende da Autoridade Palestina.

No entanto, advertiu que as agências internacionais humanitárias "poderiam não ter a capacidade de assumir todos os serviços proporcionados pela Autoridade Palestina" aos cidadãos, inclusive a educação e o saneamento.

Na audiência, Wolfensohn também confessou que pode abandonar seu posto por causa das dúvidas sobre sua incumbência.

"Se você está num trabalho em que não está claro qual é o objetivo, com que respaldo conta e quem é responsável, você se perguntaria seguramente se é isso mesmo que quer fazer", declarou o enviado especial do Quarteto.

Segundo Wolfensohn, "o Quarteto deve continuar, mas não me parece especialmente atrativo passar a vida como um líder sem conteúdo".

"Portanto, estou pensando em abandonar", explicou o alto funcionário, de 72 anos, observando, no entanto, que ainda não decidiu nada.

Representantes do escritório de Wolfensohn tinham sugerido que o representante do Quarteto poderia deixar seu posto no fim de abril, devido às divisões entre os mediadores sobre o papel que seu enviado devia cumprir.

Por sua vez, Adam Ereli, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse hoje em entrevista coletiva que seu país mantém "a confiança total no enviado especial" e assegurou que ele está fazendo um bom trabalho.

Ereli afirmou que é "importante" que Wolfensohn continue no posto "pelo menos até o fim de abril", mas não soube informar se ele será substituído depois dessa data ou se o cargo desaparecerá.

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