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18/03/2006 - 19h16

Cresce o protesto contra o contrato juvenil de Villepin

Por Luis Miguel Pascual Paris, 18 mar (EFE).- Mais de meio milhão de pessoas tomaram hoje as ruas da França em protesto contra o contrato juvenil imposto pelo primeiro-ministro, Dominique de Villepin, que vê crescer a oposição ao projeto que, em sua opinião, iria impulsionar o emprego entre os jovens.

Os jovens enfrentaram as forças policiais no final da manifestação convocada para hoje pelos sindicatos e organizações estudantis em Paris em protesto pelo contrato juvenil que o Governo francês pretende implantar.

Dezenas de jovens lançaram pedras e garrafas contra um grupo de policiais antidistúrbios na praça da Nação, lugar onde terminava a manifestação parisiense que reuniu 350.000 pessoas, segundo informações dos sindicatos.

Apesar das tradicionais diferenças entre os dados oferecidos pelas autoridades - 503.600 manifestantes - e pelos sindicatos - 1,5 milhão - os números de ambos mostram que cresce a oposição ao Contrato de Primeiro Emprego (CPE), previsto para os menores de 26 anos e que permite ser despedido sem justa causa durante os 24 primeiros meses.

Em Lille, norte do país, onde os sindicatos afirmam haver reunido a 30.000 pessoas - 11.000 segundo a Polícia - a marcha terminou com lançamento de pedras e ovos por alguns manifestantes contra os policiais antidistúrbios, que responderam com gases lacrimogêneos.

No último dia 7, entre 400.000 e um milhão de pessoas pediram a retirada do CPE na segunda jornada nacional de protesto, que um mês antes tinham sido entre 218.000 e 400.000.

O lema das marchas de hoje exigia a retirada do contrato percebido por sindicalistas e jovens como uma deterioração do trabalho.

Animados pelo "êxito" da convocação, os líderes sindicais e estudantis se mostraram determinados a prosseguir com seus protestos até que Villepin retire o CPE.

Nos próximos dias, os sindicatos podem convocar novas jornadas de mobilização e inclusive pedir uma greve geral.

As organizações estudantis, por sua parte, parecem dispostas a manter o bloqueio das universidades - mais da metade está há uma semana paralisadas - e poderiam convocar novas jornadas de protestos como a de quinta-feira passada.

O que parece descartado é que atendam o convite do Governo e do presidente, Jacques Chirac para negociar reformas no CPE.

"Primeiro retirem o CPE e depois abrimos as negociações do conjunto da situação problemática do emprego dos jovens, que afeta a 22% deles", garantiu o secretário-geral do sindicato CFDT, François Chérèque, chateado porque o Governo não os consultaram durante a elaboração do projeto.

O primeiro-ministro, que encabeçou em primeira pessoa o impulso ao contrato juvenil, vê como o protesto está minando sua imagem e uma pesquisa que será publicada amanhã pelo semanário "Le Journal du Dimanche" revela que 61% dos franceses está descontente com sua gestão à frente do Governo, uma porcentagem que cresceu sete pontos em um mês.

O chefe do Executivo sabe agora que tem diante dele a uma frente sindical unida e uma combativa contestação estudantil que provocam a crescente oposição da opinião pública ao CPE e uma notável deterioração de sua imagem.

Sem contar com que a oposição está à espreita e, a pouco mais de um ano das eleições presidenciais, parece disposta a tirar proveito de qualquer falha do Governo.

Não à toa, os principais barões da esquerda participaram da manifestação de Paris, entre eles o líder do Partido Socialista, François Hollande, que voltou a pedir a Villepin que retire o CPE.

"O que adianta esperar pela próxima manifestação quando milhares e milhares de pessoas, todos os sindicatos, numerosas associações de estudantes e de pais de alunos estão tão mobilizados?", perguntou o líder socialista.

Também em seu partido lhe surgiu a Villepin algum dissidente dos amigos políticos do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.

O ex-ministro Patrick Devidjian garantiu que aos sarkozystas que o CPE não parece uma boa idéia.

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