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20/03/2006 - 10h46

Acusados de corrupção, trabalhistas britânicos passam à ofensiva

Joaquín Rábago Londres, 20 mar (EFE).- O Partido Trabalhista britânico, envolvido em um escândalo pela suposta oferta de títulos de lorde em troca de créditos não declarados por seus milionários contribuintes, decidiu passar à ofensiva com a proposta de ilegalizar estas práticas.

O ministro de Assuntos Constitucionais, Charles Falconer, propôs a conservadores e liberal-democratas, na oposição, a incorporação de uma cláusula nesse sentido em um projeto de lei apresentado ao Parlamento, segundo anunciou ele mesmo.

O próprio primeiro-ministro, Tony Blair, que chegou ao poder criticando a corrupção em que estava imerso o Partido Conservador, liderado então por John Major, e assegurando que seu Governo seria "mais branco que o branco", está agora, no entanto, no centro do novo escândalo.

O líder do novo trabalhismo burlou o comitê nomeado para combater a corrupção e, segundo investigações jornalísticas, aceitou pessoalmente créditos muito vantajosos de seus multimilionários contribuintes, convertidos pelo menos em parte em doações.

O próprio tesoureiro do Partido Trabalhista e membro da Executiva nacional, Jack Dromey, denunciou o recebimento de uma série de pagamentos milionários feitos por particulares que não foram comunicados nem a ele nem a outros órgãos do partido, como o Comitê Executivo Nacional.

O vice-presidente do partido, John Prescott, reconheceu no domingo não estar totalmente seguro de que não se ofereceram títulos de lorde em troca de créditos e o líder da Câmara dos Comuns e ex-ministro trabalhista Geoff Hoon admitiu que os cidadãos podiam ter essa impressão.

Alguns dos contribuintes, como os empresários Chai Patel, fundador da clínica de desintoxicação Priory, e David Garrard, magnata do setor imobiliário, confirmaram que concederam grandes empréstimos ao trabalhismo.

O Partido Trabalhista investiu o equivalente a cerca de 26 milhões de euros na campanha eleitoral do ano passado, dos quais quase 21 milhões procederam de empréstimos de indivíduos cuja identidade não foi divulgada.

As acusações de corrupção não são novas para Blair: apenas seis meses após chegar ao poder, revelou-se que seu partido tinha recebido uma doação de 1,5 milhão de euros de Bernie Ecclestone, o chefão da Fórmula 1.

Imediatamente, relacionou-se essa generosidade com a decisão do Governo britânico de tentar em Bruxelas que as corridas da Fórmula 1 ficassem isentas da proibição de publicidade do fumo na Europa.

A imprensa britânica fez outras revelações sobre férias de graça dos Blair em casas de famosos, compras de casas com a ajuda de algum intermediário de reputação duvidosa, e acusações contra a esposa do primeiro-ministro, Cherie Blair, de lucrar com conferências e outros discursos públicos.

No entanto, o que parecer ter levado 53% dos entrevistados pelo "The Sunday Times" a considerar Blair corrupto, contra 24%, é a revelação sobre o financiamento secreto do partido.

A Comissão de Nomeações de Lordes tomou a medida de bloquear as propostas de nomeação a essa câmara de três empresários que tinham concedido créditos secretos ao partido.

Um deles, Sir Gulam Noon, afirma na edição de hoje do jornal "The Times" que um dirigente trabalhista disse a ele que não devia declarar um crédito equivalente a 365 mil euros que tinha feito.

Os conservadores, que receberam mais de 13 milhões de euros em empréstimos em 2004, anunciaram que proporão limitar tanto as doações individuais como a despesa permitida aos partidos para suas atividades eleitorais.

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