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20/03/2006 - 13h18

Presidente exige respeito a resultados oficiais na Belarus

Ignacio Ortega Minsk, 20 mar (EFE).- O reeleito presidente da Belarus, Alexander Lukashenko, exigiu hoje que seja respeitada a "vontade popular" expressada no pleito do domingo, que segundo a oposição e os observadores ocidentais, não foi livre nem democrático.

"A revolução de que tanto se falou, fracassou", declarou Lukashenko, considerado pelos Estados Unidos "o último ditador da Europa".

Com essas palavras, o presidente bielo-russo abriu a entrevista coletiva que concedeu depois de a Comissão Eleitoral central anunciar sua vitória nas urnas com 82,6% dos votos.

"O povo bielo-russo fez sua opção de maneira consciente, sábia e bem-avaliada", afirmou Lukashenko, que está no poder desde 1994 e deve comandar o país até 2011.

O presidente pediu que as forças políticas não utilizem o pleito como um "fator de discórdia e confronto".

"Vamos respeitar a escolha do povo bielo-russo", disse Lukashenko, acusado pela oposição acusa de ter fraudado o processo eleitoral.

Lukashenko defendeu o procedimento de votação adiantada, denunciado pelos opositores como o principal recurso da fraude, e garantiu que este é uma manifestação de como o Estado cria condições para que as pessoas possam exercer seus direitos como cidadãos.

Segundo dados oficiais, até 30% do eleitorado votou antecipadamente nas eleições presidenciais bielo-russas.

O principal candidato da oposição, Alexander Milinkevich, denunciou que não houve eleições, mas uma "usurpação do poder", e exigiu a repetição do pleito.

"Não reconhecemos os resultados", disse categórico Milinkevich, que instou os países europeus a tomarem a mesma atitude.

Milinkevich, que obteve 6% dos votos, de acordo com os dados oficiais, disse que após o anúncio dos resultados a oposição vai "considerar que no poder se encontra um presidente ilegítimo".

Paralelamente, o presidente da Assembléia Parlamentar da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), Alcee L. Hastings, declarou em Minsk que o pleito bielo-russo "não correspondeu aos padrões necessários de liberdade e justiça".

Hastings disse que Lukashenko, "pelo visto, permitiu a utilização do poder do Estado de maneira que impediu a realização de eleições limpas e justas", e que "Belarus não foi campo de jogo limpo".

"O povo bielo-russo merece algo melhor. Os valentes esforços dos candidatos da oposição para oferecer aos eleitores uma opção genuína foram obstruídos pelas autoridades", criticou.

Acrescentou que o uso arbitrário do poder do Estado e as prisões maciças em todo o país mostraram a falta de respeito aos direitos básicos de liberdade de reunião, associação e expressão, e trazem à tona dúvidas a respeito da boa vontade das autoridades para tolerar a concorrência política.

O embaixador Geert Arens, chefe da missão de observação da OSCE, afirmou que houve, durante o pleito, "muitas violações graves das normas eleitorais internacionais".

Também lembrou que "os serviços secretos acusaram a oposição e a sociedade civil de planejar a usurpação do poder, e os associaram ao terrorismo", e disse que isso "contribuiu em grande medida para o clima de intimidação e insegurança" na Belarus.

Mais duro ainda foi o secretário-geral do Conselho da Europa, Terry Davis, que declarou que o processo que levou ao novo mandato de Lukashenko "é uma farsa".

Os únicos a validar a limpeza do pleito foram os observadores do organismo pós-soviético Comunidade dos Estados Independentes (CEI), liderados pelo russo Vladímir Rushailo, ex-ministro do Interior e ex-secretário do Conselho de Segurança do Kremlin.

"As eleições são realizadas conforme a legislação eleitoral vigente do país e com uma elevada participação dos cidadãos. Os observadores da CEI concluíram que o pleito foi aberto e transparente", declarou Rushailo.

A missão da CEI foi a única que deu por válidos os resultados do segundo turno das eleições presidenciais da Ucrânia em novembro de 2004, cancelados mais tarde pela Corte Suprema do país, que opinou que houve "fraudes maciças" durante o dia de votação.

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