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20/03/2006 - 14h49

RSF: Iraque é a guerra mais mata jornalistas desde Segunda Guerra

Paris, 20 mar (EFE).- A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) disse hoje que o conflito no Iraque, iniciado há três anos, causou mais mortes de jornalistas do que qualquer outro conflito desde o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Por causa do terceiro aniversário do início do conflito, a organização de defesa da liberdade de imprensa convocou um ato em memória dos jornalistas mortos no Iraque, e publicou um novo balanço de vítimas entre os profissionais da informação.

Segundo a RSF, já morreram mais jornalistas no Iraque do que nos 20 anos da guerra do Vietnã (entre 1955 e 1975, com 63 jornalistas mortos), na antiga Iugoslávia (49 mortos, entre 1991 e 1995) e na guerra civil na Argélia (entre 1993 e 1996, com 49 mortos).

A organização ressaltou que o Iraque é, além disso, "o maior mercado de seqüestros do mundo", e que 38 jornalistas foram seqüestrados, cinco deles executados e três - Jill Carroll, Rim Zeid e Marwan Khazaal - estão nas mãos de seqüestradores.

Dezenas de pessoas foram até a Praça da Nação, em Paris, para homenagear os mortos, atendendo convocação da RSF.

O diretor da RSF, Robert Ménard, e o diretor da delegação européia do "The Christian Science Monitor" - jornal americano onde Jill Carroll trabalha -, Peter Ford, colocaram na Praça da Nação retratos gigantes de Fréderic Nérac e de Guy-André Kieffer, desaparecidos há três anos e que se juntaram aos de Carroll, Zeid e Khazaal.

"Temos a impressão de que (no Iraque) ninguém duvida em atacar a imprensa. Atiram primeiro e pensam depois", afirmou Ménard durante o ato.

Além disso, a RSF lançou uma campanha internacional para sensibilizar a opinião pública sobre os riscos que os jornalistas correm no Iraque.

Em seu relatório, a organização destaca que 77% dos jornalistas e colaboradores dos meios de comunicação assassinados eram iraquianos, e que os enviados especiais estrangeiros morreram majoritariamente nos primeiros dias do conflito, entre março e abril de 2003.

"Apesar das idéias preconcebidas, os jornalistas americanos ou britânicos não foram os mais afetados por esta guerra", por causa das "medidas de segurança adotadas pela maioria dos meios de comunicação anglo-saxões", afirma o relatório.

Segundo a RSF, em 55% dos casos, os jornalistas eram deliberadamente o alvo dos assassinos, o que é uma porcentagem muito maior do que em conflitos anteriores, onde os profissionais da comunicação eram vítimas, principalmente, de ataques indiscriminados ou de balas perdidas.

No caso dos seqüestros, a organização mostra que mais de um terço dos jornalistas seqüestrados são de algum país membro da coalizão que invadiu o país.

No entanto, o país mais afetado pelos seqüestros é a França, que se opôs à guerra, e que com nove jornalistas seqüestrados sofreu quase 25% do total desses atos desde o início do conflito.

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