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22/03/2006 - 11h46

Blair compara protestantes do Ulster a extremistas islâmicos

Belfast (R.Unido), 22 mar (EFE).- O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, criou hoje uma polêmica no Ulster ao comparar os fanáticos protestantes norte-irlandeses aos extremistas islâmicos, em plena crise do processo de paz.

Blair afirmou nesta terça-feira durante uma conferência em Londres sobre terrorismo global e intolerância religiosa que os muçulmanos que cometem atos terroristas não são mais fiéis a sua religião que o "fanático protestante" que assassina católicos na Irlanda do Norte.

"Há pessoas decentes que dizem que os extremistas que cometem esses atos não são verdadeiros muçulmanos. E, certamente, têm razão.

Não são mais muçulmanos, como também não é mais cristão o fanático protestante que assassina católicos na Irlanda do Norte", disse o primeiro-ministro.

A comparação enfureceu um dos dirigentes do majoritário Partido Democrático Unionista (DUP), Ian Paisley, que chamou Blair de "desorientado e provocador".

"Isto é um insulto calculado contra a comunidade protestante.

Seus comentários, que apontam o protestantismo como a causa do terrorismo, estão tão descompassados que só servem para revelar a fraqueza de sua personalidade e de seu entendimento", disse Paisley.

Na opinião do unionista, Blair ignorou deliberadamente décadas de violência do Exército Republicano Irlandês (IRA), assim como a indiferença da "Igreja Católica Romana" diante da violência nacionalista na província.

O líder do moderado Partido Unionista do Ulster (UUP), Reg Empey, indicou hoje que as palavras do chefe do Governo britânico são "equivocadas e perigosas", e lamentou a inconveniência dos comentários.

O processo de paz está paralisado desde que Londres suspendeu a autonomia da província em 2002 por um falso caso de espionagem do IRA em escritórios de Stormont, sede da Assembléia norte-irlandesa.

Desde então, as iniciativas para conseguir que o DUP e o Sinn Féin - braço político do IRA e segundo partido do Ulster - assinem um pacto de governabilidade foram dificultadas pela desconfiança dos unionistas e pela contínua atividade criminosa da organização terrorista.

Além disso, outros comentários sobre a atitude dos protestantes durante o conflito norte-irlandês contribuíram para reforçar a sensação de isolamento da comunidade unionista da província.

Em 2005, a presidente irlandesa, Mary McAleese, chegou a comparar publicamente a comunidade protestante-unionista do Ulster aos nazistas.

Os nazistas, disse, "passaram a seus filhos um ódio irracional em relação aos judeus, assim como as pessoas da Irlanda do Norte que transmitem a seus filhos um ódio irracional contra os católicos".

Poucos meses depois, o sacerdote católico que supervisionou a destruição dos arsenais do IRA, Alec Reid, assegurou que a comunidade nacionalista-católica tinha sido tratada como animais pela comunidade unionista, "assim como os nazistas fizeram com os judeus".

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