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23/03/2006 - 18h13

Reforma migratória é o novo problema de Bush e do Congresso

María Peña Washington, 23 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu hoje ao Congresso que mantenha um debate "educado" e aprove uma reforma migratória com a criação do status legal temporário para trabalhadores, proposta que desperta várias reações sem receber respostas claras.

"Quando realizarmos este debate, deve ser de maneira educada. De uma maneira que traga dignidade ao processo, que não ponha as pessoas umas contra as outras", aconselhou Bush, depois de se reunir líderes empresariais, religiosos e representantes da sociedade civil.

O presidente americano fez uma pausa em sua campanha sobre a Guerra do Iraque para se dedicar a outro assunto que também despertou críticas e provocou divisões nos EUA.

No Congresso, poucos parecem dispostos a atender ao pedido de Bush, já que a posição republicana quanto à reforma suscitou a maior mobilização de grupos pró-imigrantes na história recente do país.

Na próxima segunda-feira, o Comitê Judicial do Senado deverá votar um projeto de lei que combina elementos de várias propostas migratórias. Entre elas, a criação de um programa que concede a legalidade durante um período determinado para trabalhadores, e uma forma de legalizar aproximadamente 12 milhões de imigrantes clandestinos.

O presidente do Comitê, o republicano Arlen Specter, apóia a idéia do republicano John McCain e do democrata Edward Kennedy de conceder uma via para a residência permanente aos que paguem uma taxa e cumpram requisitos, como ter os impostos em dia. Descontente com o acordo bipartidário feito pelo Comitê, o líder da maioria republicana no Senado, Bill Frist, apresentou sua proposta, que exclui qualquer tipo de alívio para os imigrantes ilegais.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, ameaçou ontem prolongar o debate migratório da próxima semana para adiar indefinidamente uma votação da medida de Frist.

Os republicanos, que normalmente contam com o apoio do mundo empresarial, desagradaram o setor depois da apresentação da proposta de James Sensenbrenner, que transformaria os imigrantes ilegais em criminosos, além de prever punições a quem os ajudar.

Fazendo referências à Bíblia, a senadora democrata Hillary Clinton disse ontem em Nova York que a medida de Sensenbrenner, se aprovada pelo Senado, "transformaria em criminoso o Bom Samaritano e provavelmente até o próprio Jesus".

Diante da rigidez do debate e da falta de consenso, o jornal "The New York Times" alertou hoje para a possibilidade de que, nas próximas semanas o Partido Republicano "caia num abismo na questão da imigração" para recuperar o apoio de sua base conservadora.

"Os senadores republicanos poderiam seguir Bill Frist e apoiar uma medida migratória draconiana", o que os faria perder votos da Flórida e do sudoeste do país "por toda uma geração", advertiu o jornal.

Enquanto isso, grupos em todo o país preparam protestos e marchas em cidades com alta concentração de imigrantes, para exigir uma reforma migratória que beneficie os milhões de ilegais.

Estabelecimentos comerciais pertencentes a latinos fecharam suas portas hoje em Milwaukee (estado de Wisconsin), e milhares de manifestantes foram às ruas para lembrar a contribuição dos imigrantes à economia americana.

Na Geórgia, os ativistas pediram que os latinos não façam nenhum tipo de compras no condado Hall amanhã, e assim deixem clara sua oposição a uma medida estadual que negaria serviços sociais aos ilegais e puniria quem os ajudasse.

Líderes sindicais, empresariais e religiosos marcaram para 10 de abril um dia de protesto nacional em dez cidades dos EUA para exigir uma reforma migratória de acordo com a realidade econômica do país.

No entanto, poucos analistas apostam na possibilidade de que esta reforma saia do Congresso num ano eleitoral.

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