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24/03/2006 - 13h57

Olmert: herdeiro acidental a um passo da consagração nas urnas

Esther Martín Jerusalém, 24 mar (EFE).- Conhecido por ser o filho político e o braço direito de Ariel Sharon durante a evacuação da Faixa de Gaza, Ehud Olmert disputa as eleições da terça-feira como primeiro-ministro interino e apoiado na imagem de seu antecessor.

O vice-primeiro-ministro israelense assumiu o poder interinamente no dia 4 de janeiro, depois de o premier Sharon dar entrada em um hospital em Jerusalém após sofrer um grande derrame cerebral que o mantém inconsciente desde então.

Olmert, também ministro das Finanças e da Indústria e Comércio, é considerado o herdeiro político de Sharon. Nos últimos três anos, ele assumiu as responsabilidades de Governo sempre que o primeiro-ministro esteve ausente.

Nascido em 1945 em Binyamina, no norte de Israel, é um militante histórico do partido de direita Likud, mas foi um dos primeiros a acompanhar Sharon em sua última aventura política, quando o premier criou, em novembro do ano passado, a nova legenda Kadima (Avante, em hebraico).

Favorecido nos últimos meses pela imagem institucional da chefia do Governo, Olmert soube assumir a liderança do Kadima como o mais lógico sucessor de Sharon, embora o partido não tenha realizado eleições primárias e muitos considerem que ele não tem carisma.

Nos anúncios da campanha, Olmert apareceu sentado em seu escritório de Jerusalém ao lado da foto de Sharon na parede, ou fazendo "footing" com o carro oficial atrás e as fortes medidas de segurança que cercam um primeiro-ministro israelense.

Apesar de muitos o criticarem por sua pouco notória carreira militar (até agora um dos requisitos quase primordiais para chegar ao comando do Governo em Israel), Olmert parece não sentir o peso desse fardo.

O primeiro-ministro interino tem tentado manter a discrição, consciente de que as pesquisas indicam que ele tem uma confortável vantagem sobre seus adversários.

Advogado de profissão, é formado em Psicologia, Filosofia e Direito pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e exerceu a advocacia, embora tenha se dedicado à política desde a juventude.

Deputado desde 1973, foi renovando seu mandato nas diferentes eleições legislativas. Representou o Likud nas comissões parlamentares de Assuntos Exteriores, Defesa, Finanças, Interior e Meio Ambiente.

Entre 1988 e 1992, exerceu diferentes cargos no Governo do então primeiro-ministro do Likud Yitzhak Shamir, entre eles os ministérios das Minorias (1988-1990) e da Saúde (1990-1992).

Em novembro de 1993 foi eleito prefeito de Jerusalém, cargo ao que renunciou em 2003, quando Sharon o nomeou ministro da Indústria e Comércio e vice-primeiro-ministro.

Em 7 de agosto de 2005 passou a ocupar a pasta das Finanças, substituindo Benjamin Netanyahu - um de seus principais adversários nas eleições, como atual chefe do Likud -, que renunciara por discordar do Plano de Desligamento promovido por Sharon para evacuar todos os assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e outros quatro do norte da Cisjordânia.

Provável vencedor do pleito, Olmert, que possivelmente nunca pensou que seu acesso ao poder fosse ser tão fácil, anunciou durante a campanha sua intenção de promover a chamada "iniciativa de concentração" para evacuar de forma unilateral grande parte do território ocupado na Cisjordânia.

Sem dar detalhes, este político de fluente retórica garantiu que as fronteiras definitivas do Estado de Israel estarão estabelecidas em 2010.

Apesar de a corrida de Olmert rumo à chefia do Governo estar transcorrendo com bastante facilidade, em parte porque o Plano de Desligamento de Sharon tem um apoio majoritário da sociedade, seus adversários políticos tentam dificultar sua vida.

Nas últimas semanas, foi ventilado um suposto caso de corrupção, que no fim das contas não tinha fundamentos, e também dito que um de seus filhos não mora em Israel nem fez o serviço militar.

Paradoxalmente, Olmert é o único em sua casa que deveria votar no Kadima, pois, segundo a imprensa popular, sua mulher e seus quatro filhos são de esquerda.

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