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24/03/2006 - 13h58

Peretz reacendeu a chama do socialismo no Partido Trabalhista

Elías L. Benarroch Jerusalém, 24 mar (EFE).- Amir Peretz é o primeiro líder do Partido Trabalhista sem origem na Europa central ou do Leste, e concorre ao cargo de primeiro-ministro de Israel, mas seu passado como agressivo líder sindical pode representar um obstáculo.

Nascido no Marrocos há 54 anos, Peretz ergueu a bandeira social-democrata em um partido dominado nas últimas décadas por uma burguesia de origem centro-européia elitista, mais caracterizada pela intelectualidade de seus seguidores do que por suas crenças na defesa dos trabalhadores.

"O Partido Trabalhista nunca foi um partido socialista propriamente dito, foi um partido nacional em suas origens e mais adiante passou a ser dominado por uma classe burguesa elitista", afirmou em um programa de TV israelense o ex-ministro de Assuntos Exteriores Shlomo Ben-Ami.

"Esta é a primeira vez que alguém tenta devolver-lhe um espírito socialista e operário", acrescentou o ex-chanceler, comentando a escolha de Peretz, que em novembro de 2005 venceu o histórico líder trabalhista Shimon Peres e foi eleito para comandar a legenda.

A origem operária talvez seja a principal característica de um dirigente trabalhista nascido no norte da África, proveniente das classes mais pobres e que trilhou seu caminho rumo à liderança política israelense no comando da principal central sindical de Israel, a Histadrut.

Peretz é militante trabalhista desde a juventude, embora tenha se afastado nos anos 90 - provocando a ira do então líder do partido, Yitzhak Rabin -, para defender os interesses daqueles que, como ele, não eram dirigentes criados no Exército, na burguesia intelectual ou nas universidades.

Membro de uma família pobre chegada a Israel nos difíceis anos 50, quando ele tinha quatro anos, Peretz sempre morou em Sderot. Sua única conquista política antes de virar deputado, em 1988, foi ser prefeito da cidade.

Sua catapulta política foi a Histadrut, que presidiu de dezembro 1995 a 2005, período em que promoveu a reforma de todo o aparelho sindical, para separá-lo da política nacional e colocá-lo decididamente no campo da luta social, acima dos interesses do Governo.

Assim, quando voltou ao Partido Trabalhista, em 2004, Peretz abraçou a bandeira da luta social. Ele defende o aumento do salário mínimo para US$ 1000 e a redução da atividade de empresas de trabalho temporário que prejudicam a qualidade do emprego.

"A maior necessidade do Estado de Israel hoje é um Mapa de Caminho moral e social", alega Peretz, em alusão ao estagnado plano de paz com os palestinos, cuja fórmula procura aplicar para resolver as cada vez mais marcantes diferenças sociais no país.

Em recente entrevista a um jornal local, Peretz se definiu "como o novo israelense, o israelense que atravessou as maiores dificuldades em um país no qual se concentram diferentes povos e que aglutina essa mistura social que pode se transformar no catalisador de uma sociedade forte".

Seu estigma norte-africano - sefaradita - não representa, para ele, nenhum obstáculo em uma sociedade liderada historicamente pelos judeus de origem centro-européia, os ashkenazis.

"O estigma étnico é o inimigo número um da luta social", afirma Peretz, que descarta as previsões de que os eleitores tradicionais do trabalhismo não vão votar nele devido a sua origem marroquina.

A mesma igualdade que exige para os israelenses foi, desde sempre, sua bandeira na questão palestina.

Já nos anos 80, sendo prefeito de Sderot, defendeu o diálogo e a cooperação com os líderes municipais de Gaza, e sendo presidente da Histadrut advogou pelos operários palestinos que trabalhavam em Israel, para equiparar suas condições de trabalho às dos israelenses.

Como líder do trabalhismo, defende a legalidade do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, como interlocutor para uma paz negociada.

"O desligamento unilateral deve ser a última opção", afirma, referindo-se aos planos de seu adversário do Kadima, Ehud Olmert, para abandonar boa parte do território ocupado na Cisjordânia.

"A Judéia e a Samaria (Cisjordânia) não são como a Faixa de Gaza ou o Líbano, de onde nos retiramos para retornar às fronteiras internacionais. Ninguém pode retornar a uma fronteira reconhecida na Cisjordânia devido aos blocos de assentamentos e, por isso, devemos fazer o esforço e nos retirarmos mediante negociações", disse Peretz na campanha.

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