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25/03/2006 - 19h27

Paniagua, respeitado ex-presidente peruano, amarga apoio discreto

Mónica Martínez Lima, 25 mar (EFE).- O ex-presidente peruano de transição Valentín Paniagua (2000-01), é mais uma vez candidato à Presidência com uma proposta centrista, que, apesar de gozar de prestígio, não conseguiu agradar a um eleitorado mais atraído pelo populismo.

Nascido em 1936 na cidade andina de Cuzco, o candidato à Presidência pela Frente de Centro concluiu seu mandato em 2001 com uma aceitação popular de 80%.

No entanto, passados cinco anos, as pesquisas de intenções de voto lhe dão apenas 6% da preferência dos eleitores.

Sua personalidade reservada, sua moderação e sua tentativa de atrair, através de sua coalizão centrista, os grupos da esquerda, não deram os frutos desejados, em uma sociedade que procura líderes fortes e com propostas que garantam segurança à população.

Paniagua estudou Direito na Universidade Nacional San Antonio Abad de Cuzco e se especializou na Universidade americana de Indiana.

Fundador da Democracia Cristã em Cuzco, o então jovem Paniagua se uniu ao partido Ação Popular, fundado em 1956 pelo futuro presidente Fernando Belaúnde Terry (1963-1968 e 1980-1985).

Aos 27 anos, foi nomeado ministro da Justiça por Belaúnde e, durante o segundo Governo do líder histórico da Ação Popular, presidiu a Câmara dos Deputados.

Posteriormente, abriu seu escritório de advocacia, atividade que dividiu com a política até assumir a Presidência do Peru, em 2000, quando era chefe do Legislativo, como conseqüência da fuga do então presidente Alberto Fujimori para o Japão.

Aos 69 anos, casado e com quatro filhos, Paniagua continua se dedicando à carreira universitária e ao trabalho intelectual.

Agora, se candidatou às eleições presidenciais de 9 de abril reconhecendo que não foi um acerto criar uma aliança centrista em que esperava se unir à centro-esquerda.

Apesar de sua baixa popularidade, ainda está viva sua imagem de político honesto após seu breve Governo (novembro de 2000 a julho de 2001), em que combateu a corrupção organizada entorno de Fujimori e seu então assessor, Vladimiro Montesinos.

Durante sua gestão, foi assinado o contrato de investimento mais ambicioso na história do Peru: a exploração da reserva de gás de Camisea, localizada na floresta do departamento de Cuzco.

Além disso, promulgou, após a aprovação do Congresso, a anistia do então tenente-coronel Ollanta Humala, que se rebelou contra Fujimori e que agora também é candidato à Presidência e favorito nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de abril.

Após sua saída do Governo transitório, Paniagua foi designado chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) nas eleições da Guatemala em 2003.

Ao retornar à política, Paniagua pretendia formar uma equipe de Governo que assumisse a tarefa de devolver o respeito pelos partidos e pelas instituições, muito desacreditados desde os anos 90.

Valentín Paniagua reconhece que sua intenção não era ser candidato presidencial, mas se candidatou porque os líderes mais jovens da coalizão se negaram a assumir essa responsabilidade.

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