UOL Notícias Notícias
 

26/03/2006 - 17h01

Familiares de seqüestrados fazem apelo às Farc

Bogotá, 26 mar (EFE).- Familiares de seqüestrados reiteraram os apelos hoje às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que libertaram ontem dois policiais - para que soltem os reféns doentes e entreguem o corpo do major Julián Ernesto Guevara, que morreu em poder dos rebeldes.

A presidente da Associação de Familiares de Uniformizados Seqüestrados, Marleny Orjuela, agradeceu às Farc pela libertação dos dois militares, mas reivindicou a entrega do corpo do major "como um gesto de humanidade com a família Guevara".

Os policiais Eder Luis Almanza Patrón e Carlos Alberto Legarda, seqüestrados há quatro meses, foram entregues no sábado ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), nas matas do sul do país, próximo ao Equador.

Guevara foi seqüestrado em novembro de 1998 durante um ataque das Farc a Mitú, capital de Vaupés, que faz fronteira com o Brasil.

O major fazia parte de um grupo de 34 oficiais e suboficiais da Polícia, 22 políticos e três cidadãos dos Estados Unidos mantidos como reféns para serem utilizados como moeda de troca.

As Farc, mais antiga e numerosa organização rebelde da Colômbia, pretende trocar os 59 seqüestrados, alguns deles em cativeiro há quase oito anos, em troca de 500 guerrilheiros detidos em prisões do país e dois extraditados aos EUA.

Orjuela afirmou que "a mensagem que recebemos com a morte do major Guevara em cativeiro indica que muitos, para não dizer todos, não estão em boas condições de saúde".

Ela pediu às Farc, uma organização armada ilegal considerada terrorista, que "entreguem os soldados e policiais que estão em estado de saúde delicado".

Orjuela reivindicou provas da sobrevivência "de nossos parentes, pois há três anos não sabemos nada deles" - caso similar ao do major Guevara, até que sua morte foi informada em fevereiro.

Há vários meses, um comitê formado pelos Governos de Espanha, França e Suíça vem buscando um acordo que permita a libertação dos seqüestrados.

Contudo, ainda há muitas divergências entre as partes para se chegar a um acordo.

As Farc exigem a desmilitarização de duas localidades do sudoeste do país, pedido negado desta vez pelo presidente Álvaro Uribe, que em dezembro atendeu a essa exigência em uma pequena aldeia nesta região.

Após ser informado da libertação dos policiais, Uribe disse que "o Governo agradece a discreta e eficaz tarefa" da CICV, e afirmou que o comitê demonstra "que, para libertar seqüestrados, não é necessário uma área desmilitarizada".

O candidato presidencial Alvaro Leyva, que intermediou junto ao ex-presidente Alfonso López (1974-1978) a entrega dos dois policiais, afirmou hoje que a declaração do governante possui imprecisões.

No dia de 18 de março, junto ao ex-presidente, ele viajou para o local onde os dois policiais seriam entregues, mas a libertação não aconteceu devido à presença militar na zona, segundo Leyva.

Ela lembrou que, para que o CICV atue, as partes devem dar sua autorização, e por isso "me parece que (Uribe) não foi exato quando diz que não é preciso uma área desmilitarizada".

Leyva afirmou ainda que "poderia ser feito muito mais se Uribe não obstruísse e não estivesse tão obstinado em criar obstáculos", em referência à libertação de reféns.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host