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28/03/2006 - 18h38

Evacuação da Cisjorndânia fica mais próxima com vitória do Kadima

Jerusalém, 28 mar (EFE).- Com entre 29 e 32 cadeiras, segundo pesquisas de boca-de-urna de diferentes canais de televisão, o partido Kadima (Avante) ganhou hoje as eleições israelenses, e os resultados de seus potenciais aliados são suficientes para que a formação possa tocar adiante no Parlamento seu plano de evacuação unilateral de parte da Cisjordânia.

As citadas sondagens dão aos potenciais aliados do Kadima, o Partido Trabalhista-Meimad e o Meretz (Vigor), cadeiras suficientes para que os três partidos tenham uma maioria confortável no Parlamento israelense (Knesset).

O Partido Trabalhista conseguiu entre 20 e 22 cadeiras, e o Meretz, de plataforma pacifista e esquerdista, assegurou cinco assentos, conforme as sondagens.

Outros partidos favoráveis ao plano de evacuação unilateral, como são as três formações árabes e o partido Gil (Idade), conseguiram entre duas e quatro cadeiras, caso de cada um dos três primeiros, e entre seis e oito, situação do bloco dos aposentados.

Sendo assim, os partidos a favor do Plano de Desligamento da Cisjordânia somam mais de 60 deputados, a metade dos 120 que compõem o Parlamento unicameral israelense.

No campo da direita, conta qualquer concessão aos palestinos sem contrapartidas, ocorreu uma pequena revolução: o partido Yisrael Beiteinu (Israel é a Nossa Casa), liderado por Avigdor "Ivet" Liberman, superou o Likud, representante tradicional dos nacionalistas.

Segundo as pesquisas, o Yisrael Beiteinu conseguiu entre 12 e 14 cadeiras, contra as 11 ou 12 do Likud, liderado pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que, com o resultado, sofre uma derrota pessoal e histórica sem precedentes no partido.

Desde 1977, o Likud é a força predominante da política israelense, mas a saída em novembro passado do primeiro-ministro Ariel Sharon (em estado de coma desde janeiro) para fundar o Kadima desferiu um grande golpe na formação.

Sharon decidiu deixar o Likud, partido que ele mesmo co-fundou em 1973, devido às divergências relativas à sua política de desligamento, aplicada já na Faixa de Gaza entre agosto e setembro passados.

O primeiro-ministro decidiu então fundar o Kadima, o provável vencedor das eleições de hoje, e várias personalidades, tanto de seu partido como do Trabalhismo, se uniram à formação, entre eles o veterano líder trabalhista e "pai" dos acordos de Oslo, Shimon Peres.

"Isto é uma mudança espetacular na política israelense. É uma guinada no mapa político em direção ao centro", disse hoje à noite o líder do Kadima Haim Ramon, um dos desertores do Partido Trabalhista.

"Ganhamos em grande estilo. Um partido criado há apenas quatro meses tomou o centro do mapa político e é o maior partido de Israel", disse, por sua vez, um dos chefes de campanha do Kadima.

O Likud reconheceu que esta é uma "noite muito difícil". Além disso, destacou que amanhã seus líderes farão um "exame de consciência" e voltarão a avaliar suas posturas e fracassos.

A participação no pleito de hoje foi particularmente baixa, o que foi atribuído por à falta de uma figura carismática e à certa normalização da vida política israelense.

Ao todo, mais de cinco milhões de eleitores estavam aptos a votar hoje por um dos 31 partidos que competiam pelas 120 cadeiras da Knesset.

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