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28/03/2006 - 18h49

Kadima e Aposentados comemoram e Likud enfrenta a sua pior crise

Jerusalém, 28 mar (EFE).- O partido Kadima, vencedor das eleições gerais em Israel com 29 a 32 cadeiras, segundo as três principais sondagens de boca-de-urna, comemorou esta noite a "grande vitória" apesar de os resultados mostrarem uma forte queda em relação às projeções anteriores.

"Isto é uma mudança espetacular na política israelense; é uma virada de todo o mapa político", afirmou Haim Ramon, um dos políticos que trocaram o Partido Trabalhista pela legenda criada pelo primeiro-ministro Ariel Sharon, em novembro de 2005.

"Vencemos em grande estilo. Um partido criado há apenas quatro meses tomou o centro do mapa político e é o maior de Israel", disse um dos chefes de campanha do Kadima em declarações à imprensa.

O Kadima surgiu como uma cisão do partido Likud (formação tradicional da direita israelense) após a rebeldia de um grupo de deputados. Eles se opunham ao Plano de Retirada de Gaza, apoiado por Sharon.

Algumas pesquisas antes das eleições chegaram a dar ao Kadima até 44 cadeiras. Este número depois se reduziu drasticamente, de acordo com as sondagens de boca-de-urna realizadas pelas emissoras de televisão israelense. Esta noite, o Canal 1 deu 29 cadeiras; o Canal 10, 31; e o Canal 2, 32.

O porta-voz do Kadima também acusou o ex-primeiro-ministro e cabeça-de-chapa do Likud, Benjamin Netanyahu, de ser "o responsável pelo seu próprio desastre". Segundo as pesquisas, o Likud passou a ser a quarta ou quinta força política em Israel, após 30 anos de predomínio político.

"Não sinto alegria em meu coração pelo que aconteceu ao Likud hoje", lamentou o ministro Roni Baron, um dos que seguiram os passos de Sharon quando abandonou o Likud.

No histórico partido nacionalista, o ambiente hoje era de desespero.

"É uma noite muito difícil, e amanhã deveremos fazer um exame de consciência para avaliar nossas posturas e nossos fracassos", disse a ex-ministra Limor Livnat, logo após o resultado das pesquisas.

As enquetes antes das eleições tinham dado ao Likud de 14 a 17 cadeiras. Caso se confirmem os resultados, sua situação seria apocalíptica . Até a posição de Benjamin Netanyahu como presidente do partido estaria ameaçada.

O lugar do Likud como representante da direita ficou com o Yisrael Beiteinu, liderado pelo ex-ministro Avigdor Liberman, que obteve entre 12 e 14 cadeiras, segundo as diferentes pesquisas de boca-de-urna.

O Partido Trabalhista, que segundo a boca-de-urna obteve entre 20 e 22 cadeiras, pouco menos do que o esperado, mostrou também satisfação e disse que estará no Governo que Ehud Olmert, o líder do Kadima, deverá chefiar.

"Estamos diante de uma mudança. Nós partimos para a social-democracia e nossa presença no Governo fará dele um Governo social", analisou Yuli Tamir, braço-direito do líder trabalhista, Amir Peretz.

Mas o grande vencedor da noite foi o novo Partido dos Aposentados, que não só conseguiu entrar no Parlamento, mas teria obtido entre 6 e 8 cadeiras, algo sem precedentes na história política israelense para uma formação setorial.

O único programa dos "deputados aposentados" será institucionalizar um sistema de pensões obrigatório e defender os interesses da população de maior idade.

"Agradeço a todos os que nos ajudaram nos últimos meses a transformar este sonho em realidade, porque todos algum dia serão aposentados", lembrou o líder do partido, Rafi Eitan, antigo chefe do Mossad.

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