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30/03/2006 - 19h34

Candidata peruana luta para limpar o nome de Fujimori

Rocío Otoya Lima, 30 mar (EFE).- Martha Chávez, de 53 anos, é a herdeira política de Alberto Fujimori. A polêmica advogada disputa a Presidência do Peru com poucas chances de vencer, e sua verdadeira ambição está no Congresso, onde quer conquistar uma boa bancada para limpar o nome do ex-presidente. A candidata da Aliança pelo Futuro tem 7% das intenções de voto.

Mas, em entrevista à EFE, ela disse não descartar uma vitória na disputa pela Presidência nem uma participação de Fujimori, atualmente preso no Chile, em um eventual Governo.

Mesmo assim, é nas eleições para o Congresso que os "fujimoristas" têm mais chances, pois contam com pelo menos 11% das intenções de voto.

Nesse contexto, Martha Chávez considera possível "derrubar essas maldosas acusações" contra Fujimori, que, depois de dez anos na Presidência, fugiu em 2000 para o Japão, de onde renunciou.

Fujimori está preso no Chile desde novembro, enquanto espera um processo de extradição. "El Chino" (o chinês), como o também cidadão japonês é conhecido devido a seus traços orientais, é acusado no Peru de corrupção e delitos de lesa-humanidade.

A candidata da Aliança pelo Futuro está convencida de que tem mais apoio do que mostram as pesquisas, e diz que sua legenda é "a única força política que pode fazer frente aos discursos totalitários e revisionistas".

A expressão é uma referência ao favorito Ollanta Humala, candidato nacionalista da União pelo Peru (UPP), e ao ex-presidente social-democrata Alan García (1985-1990), do Partido Aprista Peruano (PAP) e terceiro colocado nas pesquisas.

Martha Chávez, reconhecida integrante do Opus Dei, também criticou a conservadora Lourdes Flores, da aliança União Nacional e segunda colocada nas pesquisas. Apoiá-la, disse, significa um "voto perdido".

Com voz pausada, a "fujimorista" garantiu à EFE que ganhará as eleições, "a menos que tenham preparado uma fraude", e disse que o ex-presidente prometeu ajudá-la como "ministro da Economia, presidente do Conselho de Ministros ou ministro da Agronomia".

A candidata assegurou que não será "um clone" nem uma marionete de Fujimori, e afirmou que seu objetivo é retomar a política interrompida após o descobrimento da rede de corrupção liderada pelo então assessor presidencial Vladimiro Montesinos, que acabou levando à renúncia de "El Chino".

Segundo Martha Chávez, o escândalo atingiu a imagem de seu movimento e "permitiu que 'pseudo-democratas' e 'pseudo-moralizadores' desta 'partidocracia' tradicionalmente inepta chegassem a tomar o poder".

Um retorno dos "fujimoristas" permitiria, segundo ela, "um reencontro central do Estado com o povo" e a promoção do investimento público e privado. "Não temos medo da presença do Estado, desde que seja eficaz, moderno e pequeno".

Defensora da pena de morte e contrária ao aborto, Martha Chávez afirmou que sua aliança aposta na propriedade privada, se esta "for para todos", quer aproveitar a dinâmica da globalização e se opõe "ao isolamento e à luta de classes".

A candidata, que tem cerca de 20% de rejeição nas pesquisas, defende tratados de livre-comércio com os Estados Unidos, a União Européia e o Mercosul, assim como uma maior presença do Peru na região Ásia-Pacífico.

Primeira mulher a presidir o Congresso peruano (1995-1996), ela não quer se definir como direitista, esquerdista ou centrista. Para Martha Chávez, o "fujimorismo" é uma "doutrina pragmática".

Acusada de receber US$ 20.000 de Montesinos para sua campanha em 2000, denúncia nunca provada, diz que o povo associa corretamente o "fujimorismo" a "autoridade, modernização e pragmatismo".

Assim, ela rejeita qualquer outro adjetivo, como "neofujimorismo" e, especialmente, "fuji-montesinismo", termo popular associado à corrupção do Governo do ex-presidente.

A candidata acha que Montesinos foi um bom assessor em matéria de segurança, mas usou o poder para estender a corrupção no Peru.

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