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31/03/2006 - 12h51

Irã descarta utilizar o petróleo como arma de negociação

Genebra, 31 mar (EFE).- O ministro iraniano de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, descartou hoje que o Irã vá utilizar o petróleo como arma nas negociações sobre seu programa nuclear e pediu à comunidade internacional que acredite que seu país "nunca fabricará uma bomba atômica" porque isso não faz parte de sua "cultura".

Durante uma conferência em Genebra, o ministro iraniano também lamentou os "dois pesos e duas medidas" com os quais "certas potências ocidentais" aplicam conceitos como "segurança e terrorismo" e alertou que as "ameaças militares e com sanções" não o farão renunciar a seu direito "inalienável" de dispor de tecnologia nuclear.

A decisão desta semana do Conselho de Segurança das Nações Unidas de pedir a Teerã que suspenda todas as suas atividades nucleares em um prazo de 30 dias é para Mottaki uma manobra "política", "infeliz" e que "não ajuda a chegar a um acordo".

"A questão nuclear iraniana pode ser enfrentada sob duas perspectivas: a da cooperação e da interação ou a do confronto e do conflito", segundo o ministro, que advertiu que seu "país se preparou para as duas".

Após assegurar que Teerã aposta na primeira dessas opções, Mottaki disse: "Se algum dia chegarmos à conclusão de que os mecanismos existentes não podem assegurar nosso direito de desfrutar da tecnologia nuclear, cabe a possibilidade de que revisemos e reconsideremos nossas políticas".

O chanceler deixou claro que seu país não utilizará o petróleo como arma nas negociações sobre seu programa nuclear. "Manteremos nosso compromisso de responder às necessidades energéticas de nossos parceiros", afirmou.

Mottaki dedicou grande parte de sua conferência a denunciar "os dois pesos e duas medidas", que, na sua opinião, são aplicados por determinados países ocidentais na hora de aplicar as leis internacionais em seu próprio território e no exterior.

Em relação a isso, questionou o motivo da falta de confiança em seu país, já que não se questionam outras potências, como a que "utilizou pela primeira vez as armas nucleares para matar centenas de milhares de pessoas em Hiroshima e Nagasaki".

"O Irã nunca fabricará uma bomba nuclear, porque a guerra não está em sua cultura, só a defesa", disse Mottaki, que pediu à comunidade internacional que não julgue seu país por suas "supostas intenções, que só Deus conhece, mas pelos fatos".

Nesse sentido, lembrou que "durante centenas de anos seu país não iniciou guerra alguma", enquanto outros "recorrem a decisões unilaterais que envolvem, inclusive, a ocupação militar de terceiros Estados".

Mottaki também se perguntou por que seu país não pode exercer o direito que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) lhe dá de ter acesso à tecnologia nuclear com fins pacíficos.

Segundo o TNP, que entrou em vigor em 1970, os países signatários se comprometem a utilizar suas instalações nucleares exclusivamente com fins pacíficos e a impedir que em seus territórios se possam produzir ou adquirir armas nucleares.

Depois de tal discurso, o ministro iraniano de Assuntos Exteriores se reuniu com sua homóloga suíça, Micheline Calmy-Rey, que ofereceu ajuda ao país islâmico para atender as vítimas dos terremotos que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos em mais de cem cidades do Irã na madrugada de hoje.

Além disso, Calmy-Rey defendeu perante seu homólogo que a solução para a questão nuclear iraniana só pode ocorrer "em um marco multilateral de colaboração e pela via diplomática", no qual a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "deve ter um papel fundamental", segundo detalhou à EFE um porta-voz do ministério suíço.

"A Suíça reconhece o direito do Irã de utilizar de forma pacífica a tecnologia nuclear", explicou o porta-voz, que apontou que, no entanto, "esse direito vai unido, necessariamente, ao dever de respeitar plenamente o resto do TNP e suas disposições".

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