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03/04/2006 - 18h41

Júri do caso Moussaoui decide que réu pode ser condenado à morte

Washington, 3 abr (EFE).- Os jurados do julgamento de Zacarias Moussaoui, o único processado nos Estados Unidos devido aos atentados de 11 de setembro de 2001, concluíram hoje que o acusado mentiu para o FBI (polícia federal americana), razão pela qual pode ser condenado à morte.

A partir de agora, o julgamento continuará com os depoimentos de mais testemunhas. Depois, caberá à juíza Léonie Brinkema decidir se o réu deve ser condenado à morte ou à prisão perpétua, sem direito à liberdade condicional.

O veredicto obtido pelos 12 membros do júri após 17 horas de deliberação foi lido às portas do juizado de Alexandria (Virginia) pelo responsável de Comunicação, Edward Adams, em apenas três minutos.

Vários familiares das vítimas do 11 de setembro expressaram sua satisfação aos vários meios de comunicação que esperavam a decisão do júri em frente ao tribunal.

Para que Moussaoui possa ser condenado à morte, o júri deveria concluir que o acusado mentiu para o FBI, e como resultado desses enganos pelo menos uma pessoa morreu nos atentados de 2001.

O francês de origem marroquina foi detido em Minnesota em 16 de agosto de 2001, após o 11 de setembro, e na época declarou que tinha alguns dados sobre o plano geral, mas desconhecia qual dia aconteceriam as ações terroristas.

Depois de ser detido, Moussaoui não disse mais nada sobre a Al Qaeda.

Em 2005, Moussaoui se declarou culpado de ser membro da rede Al Qaeda, acusada de planejar os atentados, e disse que se matriculou em uma escola de aviação para participar de futuras operações do grupo terrorista.

A partir de agora, os nove homens e três mulheres que formam o júri deverão ouvir os testemunhos de famílias das vítimas, que contarão o impacto do atentado em suas vidas.

O julgamento em fase de sentença contra Moussaoui começou em 8 de março, e desde então houve várias suspensões por irregularidades processuais.

A primeira paralisação do julgamento foi decidida em 13 de abril, depois que a Promotoria confirmou que Carla Martin, advogada do Governo, informou sete futuras testemunhas sobre o que outras pessoas tinham declarado, violando os regulamentos judiciais.

Depois, a juíza Léonie Brinkema ordenou a retomada do processo, mas proibiu o comparecimento de testemunhas da Administração de Aviação americana.

Diante da proibição, o Departamento de Justiça pediu a suspensão até 20 de março.

Por último, e após uma reunião com a acusação, a juíza permitiu a incorporação de novas testemunhas, desde que não tivessem tido contato com Martin.

Após o reinício do julgamento, várias testemunhas já depuseram, entre elas antigos companheiros de Moussaoui, e houve testemunhos escritos de membros detidos da Al Qaeda.

Em 27 de março, Moussaoui, contra o critério de seus próprios advogados, surpreendeu todos dizendo que ele era um dos pilotos que deveria ter feito um avião bater contra a Casa Branca, como parte da ofensiva terrorista do 11 de setembro.

Também disse que sabia da intenção de lançar os dois aviões contra as Torres Gêmeas de Nova York.

Em seu testemunho, Moussaoui admitiu que o plano original previa que, no atentado contra a Casa Branca, fosse acompanhado pelo "terrorista do sapato", Richard Reid.

Reid foi condenado em 2003 nos EUA a três prisões perpétuas por tentar explodir um avião em pleno vôo sobre o Atlântico quando viajava de Paris a Miami com 197 pessoas a bordo.

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