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04/04/2006 - 18h45

Relatório alternativo do PT poupa Dirceu, Gushiken e Genoino

Brasília, 4 abr (EFE).- O PT conseguiu obstruir hoje a votação do
relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios,
que pedia o indiciamento de dois ex-ministros e de ex-dirigentes do
partido, e apresentou hoje um relatório paralelo ao divulgado na
semana passada pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

O relatório de Serraglio recomenda que José Dirceu e Luiz
Gushiken, ambos ex-ministros de Lula, sejam processados por
corrupção. Os principais dirigentes do PT que renunciaram a seus
cargos no ano passado também foram alvo do relator.

Os parlamentares do PT não aceitaram o texto, disseram que não
existem provas contundentes e apresentaram hoje o que chamaram de
"relatório paralelo". O texto alternativo isenta de culpa Dirceu,
Gushiken e o ex-presidente do partido José Genoino.

O novo relatório também elimina as menções a "subornos" no
Parlamento, que Serraglio considerou "provados" durante as
investigações. Os petistas sustentam que o dinheiro que circulou
através da rede montada pelo publicitário Marcos Valério foi usado
para financiar campanhas, sem prestação de contas à Receita e às
autoridades eleitorais.

Outra diferença fundamental é que o relatório do PT retira o
pedido de julgamento de 19 deputados, acusados por Serraglio de
haver participado do esquema, e só "recomenda" que a Justiça "apure
possíveis irregularidades" que eles possam ter cometido.

Além disso, o PT incluiu um parágrafo afirmando que o esquema de
arrecadação ilegal de dinheiro usado por "alguns" dos candidatos do
partido nas eleições de 2002, que tinha como principal arquiteto o
publicitário Marcos Valério, havia sido montado em 1998, com o atual
governador de Minas, Eduardo Azeredo (PSDB).

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), afirmou que a
apresentação da nova versão praticamente impede a comissão
parlamentar de aprovar um relatório final, após nove meses de
trabalho.

"O PT demonstrou que não está disposto a negociar e que só se
interessa em salvar seu pessoal de um julgamento, que virá de
qualquer forma, mais cedo ou mais tarde", afirmou.

"Seria o prelúdio de um desastre", criticou o deputado José
Eduardo Cardoso (PT-SP), comentando a possibilidade de a comissão
encerrar seus trabalhos, dia 10, sem aprovar um relatório final.

Segundo Cardoso, os governistas e a oposição tentarão negociar
até a última hora uma solução de consenso, para aprovar hoje mesmo
um dos relatórios ou encontrar uma saída para o impasse.

Se não houver consenso até segunda-feira, o trabalho será
encerrado sem uma só recomendação à Justiça, apesar das 233 sessões
realizadas e dos nove meses dedicados a investigar as denúncias de
corrupção surgidas no ano passado.

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