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06/04/2006 - 12h09

Prodi é favorito contra Berlusconi nas eleições italianas

Juan Lara Roma, 6 abr (EFE).- Os italianos vão às urnas no domingo e na segunda-feira em eleições nas quais o líder de centro-esquerda Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Européia, disputa como favorito o Governo com o atual primeiro-ministro, o conservador Silvio Berlusconi.

Prodi, de 66 anos, e Berlusconi, de 69, se enfrentam pela segunda vez dez anos depois das eleições gerais de 1996, vencidas por "il professore" (o professor), como é conhecido o líder da coalizão de centro-esquerda "A União".

Aquele Governo de centro-esquerda durou dois anos e Prodi foi substituído pelo ex-comunista Massimo D'Alema, na primeira vez na história da Itália em que os herdeiros do velho Partido Comunista PCI chegaram ao poder.

Nas eleições seguintes, em 2001, Berlusconi foi à forra. "Il cavaliere" (o cavaleiro) obteve maioria absoluta e deixou na oposição a centro-esquerda, liderada à época por Francesco Rutelli, líder da Margarida, grupo que faz parte da coalizão "A União".

Berlusconi costuma se vangloriar de que seu Governo foi o único a ir até o final do período constitucional, de cinco anos, em um país onde no último meio século houve mais de 50 Executivos.

Prodi passou a maior parte do Governo Berlusconi em Bruxelas.

Porém, uma vez concluído seu mandato como presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), o veterano democrata-cristão voltou à Itália como o único líder capaz de aglutinar os partidos de centro de esquerda, fortemente divididos.

Apesar disso, Prodi não tem partido próprio, o que Berlusconi aproveitou para garantir que "il professore" nunca poderá implementar seu programa de Governo.

Para o primeiro-ministro, o líder da União é "um bobo útil" que se presta a ser usado pelos comunistas, "os que verdadeiramente mandam" na coalizão e que, em um momento dado, "vão se desfazer" dele.

No último debate na TV, realizado no dia 3 de abril, Berlusconi ressaltou que fazem parte da União "além dos ex-comunistas, socialistas, comunistas ortodoxos, verdes, grupos antiglobalização, radicais e personagens como o transexual Vladimir Luxuria".

O nome do transexual levou Berlusconi a ironizar e afirmar que Prodi poderá governar com Luxuria, que defende o consumo de drogas, e com o radical Marco Pannella, que grita "Vaticano Talibano", entre outros. Uma mistura "explosiva", segundo Berlusconi, que o impedirá de governar o país.

Prodi, que não perdeu a calma, afirma que sua coalizão é sólida, firme e séria. O ex-presidente da Comissão Européia destacou nesta campanha a luta contra a sonegação de impostos, que chega a 200 bilhões de euros, e a regeneração econômica e moral do país.

A economia italiana está estagnada. Recentemente, o Governo revisou para baixo suas expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, que passou de 1,5 para 1,3%. Para este ano, o déficit fiscal é calculado em 3,8%.

Prodi anunciou uma reforma da Justiça para torná-la mais ágil e reduzir o exorbitante número de processos pendentes, que chega a 9 milhões, considerando cíveis e penais.

Berlusconi atribuiu a situação econômica à "herança" deixada pelos "comunistas" (os Governos de Prodi e D'Alema) e ao aumento dos preços provocado pela adoção do euro.

Mas o também magnata da mídia sabe como ninguém "vender" otimismo. Ele garante que o país está bem, e afirma que a decolagem econômica acontecerá no próximo período governamental.

Prometeu benefícios para as famílias, os jovens, os idosos e o desenvolvimento do sul, tudo em nome da "nova Itália" com que "sonha", segundo disse.

Berlusconi - que concorre junto a seus tradicionais aliados, a Aliança Nacional (de direita), a Liga Norte (que namora com o racismo e o separatismo) e o partido democrata-cristão UDC - pediu o voto com base em três pontos, todos eles econômicos.

As promessas do premier são o fim do imposto sobre a primeira casa, e a manutenção da abolição do imposto sobre a sucessão e as doações (que Prodi pretende reimplementar) e da taxa dos bônus do Tesouro na metade do valor anunciado pela centro-esquerda.

Podem ir às urnas 50 milhões de italianos, que elegerão o Parlamento pelo sistema proporcional e lista fechadas, imposto novamente por Berlusconi após conseguir a abolição do sistema majoritário.

O sistema castiga os pequenos partidos, que são maioria na centro-esquerda.

Nessse contexto, pode acontecer de a centro-esquerda dominar a Câmara dos Deputados e a centro-direita ter maioria no Senado.

As últimas pesquisas dão à União de Prodi uma vantagem de entre 3,5 e 5 pontos percentuais. O total de indecisos está em aproximadamente 23%.

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