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08/04/2006 - 15h32

Iraquianos lamentam violência três anos após queda de Saddam

Namir Sobhi Bagdá, 8 abr (EFE).- A simbólica derrubada da estátua de Saddam Hussein na praça central de Bagdá gerou expectativas e esperanças, que se transformaram em um pesadelo de um país imerso em violência, três anos depois.

Em 9 de abril de 2003, o mundo inteiro observou ao vivo a gigantesca estátua de Saddam sendo derrubada na Praça Firdos (Paraíso), mas a remoção da estátua só pôde ser feita com a ajuda dos guindastes do Exército americano invasor, detalhe notado por todos.

Durante as três semanas de invasão e a conseqüente derrota do Exército de Saddam, as tropas americanas encontraram uma população receptiva, porém sem entusiasmo, mas a frieza tinha um certo alívio, além da esperança de um futuro melhor.

Hoje, após três anos, nem sequer os xiitas - supostos beneficiários da queda do regime sunita de Saddam - escondem sua decepção diante da situação em que o país se encontra.

"Depois da retirada da estátua, tivemos mais inconvenientes do que vantagens", afirma Fatah al Sheikh, membro xiita do Parlamento, em referência à violência no país e ao crescente ódio que substituiu a repressão sunita velada sobre os xiitas que era a tônica dominante na era de Saddam.

"O que acontece no Iraque agora é uma catástrofe nacional", opina o xeque Khalaf Al-Olayan, presidente do Conselho do Diálogo Nacional, um dos principais partidos da comunidade sunita e integrante da Frente do Consenso Iraquiano, terceira lista nas eleições de dezembro passado.

Olayan explicou que os três últimos anos foram os mais difíceis na história do Iraque, e qualquer um que comemorar esse dia (a queda do regime de Saddam) como uma libertação estará completamente errado.

Todos os observadores coincidem em afirmar que um dos grandes erros da ocupação americana foi desconstruir o regime anterior e destruir totalmente a arquitetura institucional do Estado, não só pelo enorme trabalho deixado, mas pelo ressentimento criado entre centenas de milhares de soldados, policiais e funcionários expulsos.

Muitos iraquianos denunciam que, após a derrubada do regime anterior, as forças estrangeiras, em vez de guiar o país para a democracia, o transformaram em um campo de batalha entre diferentes comunidades.

"Os mongóis, que destruíram Bagdá jogando seus livros no rio Tigre, não profanaram os lugares sagrados como estamos vendo agora", explicou Abdelsalam Al Kubeisi, porta-voz oficial da Associação de Ulemás Muçulmanos, a principal organização religiosa sunita e uma das mais críticas à presença americana no país.

Segundo números não oficiais de organizações regionais e internacionais, mais de cem mil iraquianos morreram desde que a coalizão internacional, dirigida pelos EUA, invadiu o Iraque em 20 de março de 2003.

Nesse período, mais de 2.300 soldados americanos morreram, a maioria em combate, enquanto que as infra-estruturas do país - petrolíferas, elétricas, de saneamento - foram destruídas por grupos que querem prejudicar o novo Governo a qualquer preço.

Apesar de a maioria dos iraquianos ter comemorado a queda de um regime que considerava selvagem e antidemocrático, os cidadãos lamentam o que aconteceu depois com seu país.

"Não é verdade que a maioria dos iraquianos esteja contente com a mudança de situação, porque agora estamos indefesos entre a força de ocupação e a violência e o terrorismo", explicou à EFE um político iraquiano que pediu para não ser identificado.

Nos últimos meses, o medo de uma guerra civil sectária no país aumentou devido aos freqüentes conflitos entre xiitas e árabes sunitas, iniciados após o bombardeio, em 22 de fevereiro, de um santuário xiita na cidade de Samarra, ao norte de Bagdá.

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