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10/04/2006 - 06h55

Villepin admite que o CPE não podia ser aplicado

Paris, 10 abr (EFE).- O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, admitiu hoje que o Contrato de Primeiro Emprego (CPE) que lançou em janeiro não podia ser aplicado pelos protestos de jovens e sindicatos e confirmou que será substituído por medidas a favor da inserção profissional de jovens com dificuldades.

Com semblante grave, em uma breve alocução pouco depois que o presidente, Jacques Chirac, anunciou a substituição do CPE por essas novas medidas, o chefe do Governo conservador disse que a proposta de lei será apresentada ainda nesta manhã, e propôs conversas sem condição prévia com os agentes sociais sobre a precariedade e a inserção dos jovens no mercado de trabalho.

O abandono do CPE foi celebrado pelos principais sindicatos de trabalhadores e estudantes, que há semanas reivindicavam, com manifestações e greves, a retirada desse contrato para menores de 26 anos e que permitiria ao empregador despedir o jovem sem justificativa durante os dois primeiros anos.

A crise social e política gerada pelo CPE debilitou consideravelmente Villepin e seu mentor, Chirac, segundo as pesquisas que mostram que sua popularidade caiu a um nível recorde, e transcorreu em meio à rivalidade entre o chefe do Governo e o presidente da União por um Movimento Popular (UMP), Nicolas Sarkozy, face às eleições presidenciais de 2007.

Após aludir às manifestações que "põem em perigo a segurança" dos jovens e a ameaça para os testes, Villepin disse que "não se dão" as condições necessárias de "confiança e serenidade" nem por parte dos jovens nem das empresas para permitir a aplicação do CPE.

Portanto, disse que tinha proposto a Chirac, e este aceitou, substituir o artigo 8, que cria o CPE, da lei de igualdade de oportunidades, por medidas a favor da inserção dos jovens com dificuldades para entrar no mercado de trabalho.

A proposição de lei que contém estas medidas será apresentada em entrevista coletiva antes do meio-dia pelos líderes parlamentares da UMP, que na semana passada se reuniram com os atores sociais para buscar uma saída para a crise.

Villepin justificou sua ação dos últimos meses, incluindo o fato de que não negociou o CPE com os sindicatos antes de apresentá-lo, dizendo que queria atuar "rapidamente" frente à "situação dramática e de desespero" de muitos jovens.

Em um tímido mea culpa, indicou que "lamenta" que "nem todos" entenderam seu empenho em propor medidas "fortes" porque só um equilíbrio entre uma maior "flexibilidade" para o empregador e "mais segurança" para os assalariados permitirá combater o desemprego juvenil.

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