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11/04/2006 - 00h01

Itália: Prodi se declara vencedor, mas direita pede recontagem

(corrige guia) Roma, 11 abr (EFE).- Em uma disputa eleitoral de tirar o fôlego, a aliança de centro-esquerda liderada por Romano Prodi se declarou vencedora do pleito na Itália, enquanto a coalizão liderada por Silvio Berlusconi deslegitimou o resultado - obtido através de apenas 25 mil votos de diferença - e exigiu a recontagem dos votos.

Doze horas após o fechamento das seções eleitorais, e quando faltava pouco para concluir a apuração, Prodi subiu ao palco montado na praça de Santi Apostoli, em Roma, e anunciou a seus seguidores que a centro-esquerda tinha alcançado a vitória na Câmara dos Deputados.

Quase de forma imediata, o porta-voz de Berlusconi, Paolo Bonaiuti, desacreditou as palavras de Prodi e assegurou que "nenhuma das duas coalizões superou 50% dos votos na Câmara dos Deputados".

"Rejeitamos que a União tenha vencido, é preciso verificar o resultado", disse, antes de anunciar que a diferença é "inferior a 25 mil votos, tão pequena que exige que haja uma comprovação detalhada da apuração e das atas eleitorais".

Enquanto as duas coalizões se enfrentavam à distância, o Ministério do Interior confirmou que a "União", a coalizão de Prodi, obteve 49,8% dos votos para a Câmara Baixa, enquanto a "Casa das Liberdades", de Berlusconi, somou 49,7%.

A reforma do sistema eleitoral aprovada em dezembro passado a pedido do próprio Berlusconi garante à coalizão vencedora eleger pelo menos 340 dos 630 deputados do semicírculo, ou seja, a maioria absoluta.

A incerteza no quadro político italiano se intensifica ainda mais pelos resultados no Senado, onde a coalizão de Berlusconi venceu por pouco mais de 0,1 ponto percentual, enquanto ainda se aguarda a divulgação dos decisivos resultados do voto dos emigrantes italianos.

A apuração dessas cédulas, que decidem seis senadores e 12 deputados, está sendo feita com uma lentidão inédita e, 12 horas depois do início da contagem, só tinha sido apurado um sexto dos votos, que davam vantagem à aliança de Prodi.

A apuração em território nacional também foi demorada e se prolongou durante mais de 10 horas, o que provocou duras críticas e certa perplexidade por parte da centro-esquerda, que também rejeitou as denúncias dos conservadores sobre a limpidez da vitória.

"Apesar de terem feito uma lei eleitoral para dividir o país e impedir nossa vitória, os eleitores, com um voto claro e decidido, encerraram o capítulo de Berlusconi e do berlusconismo", declarou o dirigente dos Democratas de Esquerda (DS), Piero Fassino.

De qualquer forma, quase todos concordam em que os grandes perdedores deste pleito foram os institutos de pesquisa de opinião pública, cujas primeiras pesquisas de boca-de-urna indicaram uma clara vitória de Prodi.

O diretor do instituto Nexus, Fabrizio Masia, jogou parte da culpa, em declarações a um programa de televisão, no que chamou de "uma lei eleitoral absolutamente complicada".

"Isso é um dado objetivo, não uma avaliação nossa", argumentou, antes de anunciar que a empresa iria se abster de concluir suas projeções.

Masia reconheceu, entretanto, que houve "erros" na forma de realizar as pesquisas em algumas regiões e que a situação tinha fugido de seu controle.

"Não sei se é algo irônico ou dramático, mas nos vemos na total impossibilidade de dizer quem venceu", disse.

O certo é que com ele concorda a grande maioria dos analistas e das principais vozes da imprensa italiana, cujas primeiras edições pós-pleito estão dominadas por manchetes que falam de incerteza e de um país dividido.

Entre eles, o jornal econômico "Milano Finanza" foi especialmente claro ao não esconder seu pessimismo ao colocar em sua manchete: "De qualquer forma, a Itália perde".

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