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13/04/2006 - 16h38

Aumenta a pressão de ex-generais pela renúncia de Donald Rumsfeld

(acrescenta comentário de porta-voz da Casa Branca) Jorge A. Bañales Washington, 13 abr (EFE).- Já são quatro os generais da reserva que pedem a renúncia imediata do chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld, por seus "erros" na condução da Guerra do Iraque.

O general reformado Anthony Zinni, ex-chefe do Comando Central, já tinha pedido a saída do secretário de Defesa no início do mês.

Hoje, ele insistiu no assunto, apoiando outros ex-integrantes do alto comando do Pentágono. Eles acreditam que Rumsfeld "está louco" por não ouvir as críticas à estratégia e às táticas dos Estados Unidos no Golfo.

"O maior erro de Rumsfeld foi desprezar dez anos de planejamento para a ocupação do Iraque. Fomos à guerra sem um plano de ocupação", disse Zinni à rede de televisão CNN. O Iraque "está à beira da guerra civil", acrescentou.

"Temos que dar esperanças ao povo iraquiano e promover o desenvolvimento econômico. Mas o Pentágono mantém uma visão excessivamente otimista do andamento das operações", criticou.

Na sua opinião, Rumsfeld tem "um estilo prepotente, sem disposição para ouvir" o conselho dos comandantes militares.

Zinni foi chefe do Comando Central de 1997 a 2000. Entregou o comando ao general Tommy Franks, que foi o responsável pelas invasões do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003.

Ele lembrou hoje como o general Eric Shinseki, chefe do Exército antes da invasão do Iraque, tinha avisado ao Congresso que para a operação seria preciso uma força de, pelo menos, 300 mil soldados.

Rumsfeld ignorou os cálculos e os EUA invadiram o Iraque com cerca de 160 mil soldados. Vários críticos têm afirmado que a força se revelou insuficiente para uma ocupação eficaz do Iraque. A previsão de tropas foi feita com a expectativa de uma vitória rápida e uma saída a curto prazo.

Três anos depois, os EUA mantêm no Iraque mais de 130 mil soldados, sem previsão de sair do país.

No entanto, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirmou hoje que, na avaliação do presidente George W. Bush, Rumsfeld "tem feito um ótimo trabalho neste período de desafio" para os EUA.

McClellan se referiu à "libertação de 25 milhões de pessoas no Afeganistão e 25 milhões no Iraque" e afirmou que Rumsfeld está supervisionando "a transformação dos militares, que devem estar preparados para as ameaças do século XXI".

O chefe do Estado-Maior Conjunto, o general de Infantaria da Marinha Peter Pace, disse na quarta-feira que os comandantes militares sempre tiveram como apresentar suas opiniões e análises a Rumsfeld.

Outro crítico, o general reformado do Exército John Bateste, reivindicou ontem que o comando do Pentágono "respeite os militares da mesma forma que espera ser respeitado".

Bateste, chefe da Primeira Divisão de Infantaria no Iraque entre 2003 e 2004, teve a oportunidade de ser promovido a tenente-general de três estrelas e retornar ao Iraque. Mas recusou porque não queria mais trabalhar sob as ordens de Rumsfeld, informou hoje o jornal "The Washington Post".

Outro crítico é o tenente-general reformado Greg Newbold. Em declarações à revista "Time", ele apontou "os passos equivocados e erros de julgamento" da Casa Branca e do Pentágono no Iraque.

"O que vemos agora é a conseqüência de sucessivos erros políticos", disse Newbold, que foi diretor de operações do Estado-Maior Conjunto entre 2000 e 2002.

O coronel da reserva Laird Anderson, que prestou serviço nas Forças de Operações especiais, disse hoje à EFE que os oficiais reformados "estão na melhor posição para criticar os civis que comandam" o Pentágono.

"São pessoas que sabem o que falam", explicou, antes de recomendar Rumsfeld a "ouvir com muita atenção" os seus críticos.

"São homens que, do ponto de vista das operações, entendem como se conduz uma guerra. Se não der atenção a eles, está louco", afirmou.

Laird disse que o próprio presidente George W. Bush "deve ouvir os oficiais, se quiser manter aberto um importante caminho para entender o que ocorre".

No mês passado, o general de duas estrelas reformado Paul Eaton chamou Rumsfeld de "incompetente, estratégica, operacional e taticamente".

"Rumsfeld dever ir embora já", disse Eaton, que ficou até 2004 no Iraque, como responsável pelo treinamento do novo Exército iraquiano.

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