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14/04/2006 - 15h54

Moscou acredita que mísseis garantirão paridade com os EUA

Moscou, 14 abr (EFE).- Os novos mísseis intercontinentais russos Topol-M e Bulava permitirão manter a paridade nuclear com os Estados Unidos por pelo menos 50 anos, disseram os construtores destes mísseis.

A declaração foi feita por Yuri Solomonov, diretor do Instituto de Tecnologia Térmica de Moscou (ITTM), centro de pesquisa que desenha e fabrica o arsenal nuclear russo do futuro, conforme a imprensa russa divulgou hoje.

"Podemos afirmar, com toda certeza, que nosso arsenal nuclear renovado poderá operar até 2040 ou até mesmo 2045", afirmou Solomonov, segundo o jornal "Izvestia", que trouxe como manchete "Mísseis invisíveis garantem paridade nuclear".

Solomonov se referiu aos Mísseis Balísticos Intercontinentais (MBI) Topol-M, armazenados em fossos e caminhões, e os Bulava, destinados aos submarinos nucleares estratégicos de última geração.

O cientista explicou que o processo de substituição do velho arsenal nuclear - herdado da URSS - pelo novo deverá terminar entre 2015 e 2020, quando Moscou terá, segundo as previsões, quase 2.000 ogivas nucleares.

"Esse arsenal estratégico garantirá a defesa do país no caso de um ataque nuclear preventivo", disse Solomonov.

Para os analistas, o anúncio de Solomonov é uma resposta à tese de que a época de "destruição mútua garantida" chegou ao fim, e que em breve os EUA serão capazes de destruir, em um primeiro ataque, o arsenal nuclear da Rússia e também o da China.

Em artigo publicado recentemente pela revista "Foreign Affairs", analistas americanos afirmaram que, enquanto o arsenal nuclear americano se moderniza, o russo perde eficácia por ser obsoleto, e o chinês se desenvolve pouco porque esse país gasta mais em armamento convencional.

Em comparação à União Soviética, a Rússia reduziu em 80% sua frota de submarinos com mísseis balísticos, em 58% os mísseis intercontinentais em fossos, e em 39% o número de bombardeiros estratégicos, informou a revista.

"O assunto não é a quantidade, mas a qualidade dos novos sistemas de mísseis", argumentou Solomonov, que admitiu que mais MBI são retirados de operação do que a quanridade produzida nas fábricas russas por ano para substituir os antigos.

Segundo os estrategistas russos, os MBI Topol-M devem substituir os sistemas de mísseis RS-18 (SS-19 Stiletto, segundo a Otan), os RS-20 Voevoda (SS-18, ou Satan) e os RS-12M, primeira versão dos Topol-M.

Sem mencionar números, o funcionário afirmou que a produção dos Topol-M para armazenamento em fossos é feita de acordo com os planos previstos, e que a primeira unidade militar com mísseis Topol-M acondicionados em caminhões será colocada em operação este ano.

Os sistemas móveis de MBI são, depois dos submarinos nucleares, os mais eficientes do ponto de vista operacional, porque podem se deslocar e também, durante certo tempo, burlar os sistemas espiões de detecção.

Medindo 22,7 metros de comprimento e pesando 47 toneladas, os Topol-M (SS-X-27 Sickle) podem levar até três ogivas nucleares e destruir alvos a 10.000 quilômetros de distância.

Solomonov ressaltou que os Topol-M e os Bulava, este ainda em período de testes, podem burlar qualquer sistema de defesa conhecido até hoje, e permanecerão imbatíveis inclusive quando os EUA acionarem seu Sistema Nacional de Defesa Antimísseis (NMD, em inglês).

De acordo com os planos russos, será realizado nos próximos meses o terceiro lançamento de testes de um míssil Bulava a partir de um submarino submerso. A intenção é que, depois de dez lançamentos de teste, estes mísseis sejam incorporados às frotas do norte e do Pacífico em 2008.

Os Bulava (SS-NX-30), de 12,1 metros de comprimento e peso de 36,8 toneladas, podem levar entre 6 e 10 ogivas nucleares a distâncias de até 8.000 quilômetros.

Estes mísseis serão acoplados nos futuros submarinos nucleares de IV geração, classificados por Moscou como projeto 955, classe Borey.

Nas fases de testes, os Bulava foram ligados ao submarino atômico "Dmitri Donskoi", enquanto avança nos estaleiros a construção dos submarinos "Yuri Dolgoruki", "Alexandr Nevski" e "Vladimir Monomakh".

Apesar do otimismo oficial, analistas russos como Alexei Arbatov acreditam que o Governo deve desembolsar mais recursos e aumentar a produção de Topol-M e Bulava.

Segundo Arbatov, diretor do Centro de Segurança Internacional da Academia de Ciências da Rússia, as plantas russas fabricam entre seis e sete MBI por ano.

"Com esse ritmo de produção, em 2015 teremos algo entre 250 e 300 mísseis", em vez dos 2.000 que são a meta oficial, disse Arbatov, citado pelo jornal "Vedomosti".

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